MITOLOGIAS MUNDIAIS E CONCEITOS

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A ANTIGA RELIGIÃO NÓRDICA E A CONVERSÃO PARA O CRISTIANISMO

Como já citado em postagens mais antigas,
o que para nós atualmente é mitologia,
mero conjunto de mitos e lendas,
compreendia na verdade para os povos da antiguidade a sua prática religosa.
A antiga religião nórdica, portanto,
deu origem ao que hoje conhecemos como mitologia nórdica,
e compreende a prática religiosa dos povos antigos que habitavam a parte mais ao norte da Europa antes que essas religiões fossem suprimidas pelo cristianismo.

Esses povos são os que habitavam a região da Europa setentrional e do Atlântico Norte,
que consiste na Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia,
e seus territórios associados, que incluem as Ilhas Faroé, Gronelândia, Svalbard e Aland.

Era nessa região que existiram também as antigas Germânia (da qual se originou a Alemanha) e Ecandinávia.

Aliás, "Escandinávia" é por vezes utilizado como sinônimo para os países nórdicos, embora dentro desses países os termos sejam considerados distintos.

O povo mais caracterítico Dessa época e região são os antigos vikings, cuja organização social, política e religiosa apresentava similaridades com a de outros antigos povos europeus, como os celtas e os bálticos, sendo que os celtas eram um conjunto de povos organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-européia que se espalhou pela maior parte do oeste da Europa; e os bálticos, também conhecidos como baltos, são os descendentes de um grupo de tribos indo-européias que colonizou a região entre o baixo Vístula, o alto Duina Ocidental e o rio Dnieper no litoral sudeste do mar Báltico.


BLÓT era a cerimônia religiosa dos
antigos povos nórdicos, geralmente
praticada em bosques sagrados.
A forma de adoração praticada pelos germânicos antigos e pelos povos escandinavos chamava-se Blót, e se assemelhava muito com a forma que os celtas e os bálticos praticavam também suas religiões.

Blót é uma palavra derivada do verbo blóta [do antigo idioma anglo-saxônico que deu origem a língua inglesa], que significava "venerar com sacrifício", ou "fortalecer".

O sacrifício costumava consistir de animais, em especial porcos e cavalos. A carne era cozida em grandes poços cheios de pedras aquecidas, tanto dentro como fora das residências.

Acreditava-se que o sangue continha poderes especiais, e era borrifado nas estátuas dos deuses, nas paredes e nos próprios participantes da cerimônia.

O momento em que as pessoas se reuniam em torno dos caldeirões fumegantes, para fazer uma refeição juntamente com os deuses ou com os elfos era sagrado.

A bebida que era passada em torno da mesa, de participante para participante, também era abençoada e sagrada; quase sempre era cerveja ou hidromel, porém entre a nobreza podia ser vinho importado.
As tribos germânicas raramente ou quase nunca tinham templos construídos para a prática de sua religiosidade, as cerimônias normalmente aconteciam em bosques considerados sagrados, mas podiam também ocorrer em casas e/ou em altares simples de pedras empilhadas conhecidas como horgr.

Embora o uso de templos não fosse muito comum, em alguns lugares parecia haver uma maior concentração para a prática religiosa, tais como Skiringsal, Lejre e Uppsala.
TEMPLO DE UPSALA
Há indícios que em Uppsala existiu um templo com três estátuas de madeira de Thor, de Odin e de Freyr. Parte do templo, onde provavelmente ocorriam as cerimônias e sacrifícios, era descoberto.

Apesar de parecer que um certo tipo do sacerdócio possa ter existido, nunca houve um caráter profissional e semi-hereditário como o arquétipo do druida céltico. Isto ocorre porque a tradição xamanista foi mantida pelas mulheres, as Völvas, mas é geralmente aceito que os reinados germânicos evoluíram a apartir de seus sacerdotes, ou seja o lider espiritual era também o lider político, de forma que o papel de sacerdote cabia aos reis e aos chefes de clãs, que eram grupos formados por diversas famílias com um lider em comum.
ALTAR CERIMONIAL NO TEMPLO DE UPPSALA
Eram esses chefes de clã que administravam os sacrifícios, e no exercício dessa função recebiam o título de godi.

Já para os celtas, como citado acima, o sacerdócio era uma função especifica, e quem o praticava eram os druidas, portanto, druida era o sacerdote celta da antiguidade.

Há também indícios, não muito confiáveis, da prática de sacrifício humano.
O único testemunho ocular do sacrifício humano germânico sobreviveu no conto de Ibn Fadlan sobre um enterro do navio de Rus, onde uma escrava menina se ofereceu para acompanhar seu senhor ao mundo seguinte.

Testemunhos mais indiretos são dados por Tacitus, Saxo Grammaticus e Adan de Bremen.
O Heimskringla descreve que o rei sueco Aun sacrificou nove de seus filhos em um esforço para prolongar sua vida até que foi impedido de matar seu último filho, Egil.
Há Indícios, não muito confiáveis,
da prática de sacrifício humano.

De acordo com Adam de Bremem, os reis suecos sacrificavam escravos do sexo masculino a cada nono ano durante os sacrifícios de Yule no Templo em Upsalla.

Yule é uma cerimônia, ou Sabat, que acontecia anualmente por volta do dia 21 de dezembo, em observância do renascimento do Deus Sol. Não é por acaso, portanto, que o Yule cai no Solstício de Inverno, a noite mais longa do ano. Após o Solstício, o dia cresce mais e o sol a cada dia permanece à vista por um período maior, até a chegada do o Solstício de Verão, em junho, significando o crescimento do Deus Sol depois de Seu renascimento.

Alguns elementos das tradições do Yule foram preservados, como a tradição sueca de matar um porco durante o Natal, que era originalmente parte do sacrifício a Frey. Esse costume não só se preservou como se espalhou pelo mundo, vindo daí a tradição do pernil de natal tão comum nas mesas natalinas em vários países do mundo.


ODIN - PRINCIPAL DEUS DA MITOLOGIA NÓRDICA
Nos tempos modernos o Yule ainda é comemorado por algumas religiões neopaganistas, como por exemplo a wicca, e é um dos oito feriados solares ou Sabbats do Neopaganismo. equivalendo mais ou menos ao natal cristão e com muitas tradições similares.

No Neopaganismo moderno, o Yule é celebrado no Solstício de Inverno, por volta de dia 21 de Dezembro no hemisfério Norte e por volta do dia 21 de Junho no hemisfério Sul.

Os suecos tinham o direito de eleger e depôr os próprios reis, e tanto o rei Domalde como o rei Olof Trätälja são conhecidos por terem sido sacrificados após anos de inanição.

Odin foi associado com a morte por enforcamento, e uma prática possível do sacrifício a Odin por estrangulamento tem alguma sustentação arqueológica na existência de corpos preservados perfeitamente pelo ácido das turfas em Jutland.
O Homem de Tollund é o cadáver de um homem naturalmente
mumificado descoberto na Dinamarca em 6 de maio de 1850. 
Estima-se que viveu no século IV a.C., 
foi enforcado, provavelmente como uma forma de um sacrifício,
e jogado no pântano,
tendo o seu corpo preservado devido à camada musgos,
ausência de oxigênio e ação de compostos antimicrobianos.

Devido às técnicas limitadas de preservação de material
orgânico na época da descoberta do corpo, apenas a cabeça foi
conservada, enquanto o restante do corpo deteriorou-se.
Em 1987 uma réplica foi construída,
estando atualmente exposta,
juntamente com a cabeça original,
no Museu de Silkeborg, na Dinamarca.
Um exemplo é Homem de Tollund.

Entretanto, não há nenhum testemunho escrito que interprete explicitamente a causa destes estrangulamentos, que poderiam, obviamente, ter outras explicações, como por exemplo punição ou pena de morte por algum crime cometido.

A falta de confiabilidade nessas informações e no próprio estudo da mitologia nórdica é que, frequentemente, os testemunhos mais próximos que existem das épocas mais remotas foram escritos por cristãos como por exemplo o Younger Edda e o Heimskringla, que foram escritos por Snorri Sturluson no Século XIII, após quase duas centenas de anos depois que a Islândia se tornou cristã, em torno do ano 1000, em um momento histórico sob um intenso clima político anti-pagão na Escandinávia. Toda a literatura ou registro a respeito, portanto, pode ser tendenciosa ou proprositadamente favorável ao cristianismo, como por exemplo a acusação da prática de sacrifício humano por parte das antigas religiões, que a partir do evento do cristianismo passaram a ser consideradas " religiões pagãs".

Virtualmente, toda a literatura sobre as sagas vikings se originou na Islândia, uma ilha relativamente pequena e remota. 

Mesmo contando com o clima de tolerância religiosa que ainda permanecia naquela época nesta região, Sturluson foi guiado por um ponto de vista essencialmente cristão.

O Heimskringla, cujas cópias são tão difundidas na Noruega atual quanto a Bíblia, fornece algumas introspecções interessantes nesta direção.

Snorri Sturluson introduz Odin como um lorde guerreiro mortal da Ásia que adquire poderes mágicos, se estabelece na Suécia, e se torna um semi-deus após sua morte.
OLAF HAROLDSSON
Apesar de ser de origem viking, converteu-se ao dristianinsmo em
troca de apoio da igreja para ocupar o trono da Noruega,
governando o pais primeiro uteraninamente desde 1013 e depois
coroado como  Rei Olaff II a partir de 1015, permanecendo no
trono até 1028, quando foi deposto numa guerra civil,
após o que ficou conhecido como a Batalha de Nesjar. 
Percebendo que a Igreja proporcionava uma excelente máquina de
dominação popular, completou a conversão da Noruega impondo
a fé cristã pelo uso da violência e contruindo uma série de
igrejas em todo o país.
Apesar de muito impopular entre o povo, lhe foi atriuído milagres
após sua morte, sendo cnonizado pela igreja como Santo Olavo.
Ao remover a divindade de Odin, Sturluson fornece então a história de um pacto do rei sueco Aun com o Odin para prolongar sua vida, sacrificando seus filhos.

Mais tarde, no Heimskringla, Sturluson apresenta em detalhes como o Santo Olaf Haroldsson converteu brutalmente os escandinavos ao cristianismo.

Durante a cristianização da Noruega, o rei Olaf Trygvasson mantinha as völvas (mulheres xamãs) amarradas em pequenas rochas à mercê da maré. Uma terrível e longa espera pela morte, condenadas a isso por conta de sua prática religiosa, consideradas como uma espécie de bruxas.

Na Islândia, tentando evitar a guerra civil, o parlamento votou a favor da cristianização, mas tolerou a prática de cultos pagãos na privacidade dos lares. Essa atmosfera mais tolerante permitiu o desenvolvimento da literatura acerca das sagas, que foi uma janela vital para auxiliar a compreender a era pagã.

Por outro lado, a Suécia teve uma série de guerras civis durante o século XI, que terminou com a queima do templo em Uppsala.

A conversão não aconteceu rapidamente, independente se a nova fé cristã fosse mais ou menos imposta pela força.

O clérigo trabalhou fortemente no sentindo de ensinar à população que os deuses nórdicos eram apenas demônios, mas seu sucesso era limitado e os deuses nunca se tornaram realmente malignos na mente popular.

Dois achados arqueológicos extremamente isolados podem ilustrar quanto tempo a cristianização levou para atingir toda a região:

1º - Os estudos arqueológicos das sepulturas na ilha sueca de Lovön mostraram que a cristianização levou entre 150 a 200 anos.

2º - Do mesmo modo, na cidade comercial de Bergen, duas inscrições rúnicas do século XIII foram encontradas.
A primeira diz "pode Thor o receber, pode Odin possui-lo".
A segunda inscrição é um galdra que diz "eu entalhei runas de cura, eu entalhei runas de salvação, uma vez contra os elfos, duas vezes contra os trolls, três vezes contra os thurs.
Essa segunda inscrição menciona também a perigosa valquiria Skögul.

Apesar de haver poucos testemunhos do século XIV até o século XVIII, o clérigo, tal como Olaus Magnus, no ano de 1555, escreveu sobre as dificuldades de extinguir a opinião antiga sobre os deuses antigos.
Hagbard e Signy, cuja trágica história de
amor ficou eternizada numa  secular e tradicional
canção popular. Ambos morrem quando o Rei Sigar,
pai de Signy, que não admitia o enlace entre
os dois, manda executar Hagbard.
O Þrymskviða parece ter sido uma das raras canções que resistiram ao tempo. Outra é a canção que narra a história romântica de Hagbard e Signy.
As versões conhecidas de ambas foram registradas nos séculos XVII e XIX.

No século XIX e no início do século XX, os folcloristas suecos documentaram o que o povo comum acreditava, e o que eles deduziram era que muitas tradições dos deuses da mitologia nórdica haviam sobrevivido. Entretanto, as tradições estavam muito longe do sistema coeso desenvolvido por Snorri.

A maioria dos deuses tinham sido esquecidos e somente o caçador Odin e a figura de matador de gigantes de Thor aparecia em numerosas lendas.

Freya era mencionado algumas vezes e Balder sobrevivia somente nas lendas sobre nomes de lugares.

Outros elementos da mitologia nórdica sobreviveram sem ser percebido como tal, em especial as lendas a respeito dos seres sobrenaturais no folclore escandinavo.


Desde que o inferno cristão se assemelhou ao domicílio dos mortos da mitológia nórdica, um dos nomes foi aproveitado da fé antiga: Helvite, ou seja, punição de Hel, que na mitologia nórdica é a deusa que governa o mundo dos mortos, que a partir do ponto de vista cristão passou  ser visto como inferno.
A DEUSA HEL
Senhora do Mundo dos Mortos

Outra reminiscência dos tempos antigos reside nos nomes dos dias da semana que foram nomeados em referência a um deus ou criatura mítica da antiguidade, levando-se em conta, claro, que estas palavras do alemão e inglês modernos se derivam de palavras do antigo idioma anglo-saxônico.
Vale lembrar também que na mitologia nórdica Sol e Lua eram também os nomes dos deuses que regiam estes astros.

Temos portanto:

Dia do Sol [Domingo]: Sonntag, em alemão e Sunday em inglês [que traduzido literalmente ao pé da letra significa dia do sol]

Dia da Lua [segunda-feira]: Montag, em alemão e Monday em inglês

Dia de Tyr [Terça-feira]: Dienstag, em alemão e  Tuesday em inglês ,

Dia de Odin (Woden ou Wotan) [Quarta-feira]: Mittwoch, em alemão e Wednesday em inglês

Dia do trovão ou dia de Thor (Deus do Trovão) [Quinta-feira]: Donnerstag, em alemão e  Thursday em inglês

Dia de Freyja [Sexta-feira]: Freitag, em alemão e  Friday em inglês

Sabá (alemão), dia de Saturno (inglês) [Sábado]: Samstag, em alemão e  Saturday em inglês

domingo, 17 de abril de 2011

Völuspá: a origem e o final do mundo


A origem e o final eventual do mundo são descritas em Völuspá ("A profecia dos Völva" ou "A profecia de Sybil"), um dos poemas mais impressionantes no Edda poético. 

Estes versos assombrados contêm uma das mais vívidas criações em toda a história religiosa e representa a destruição do mundo, cuja originalidade está na sua atenção aos detalhes.

No Völuspá, Odin, deus principal do panteão dos nórdicos, conjura do espírito de um Völva morto (Shaman ou Sybil) e requer que este espírito revele o passado e o futuro. 
ODIN
O espírito se mostra relutante: "O que você pede de mim? Porque você me tenta?"; 
mas como ela se encontra morta, não mostra nenhum medo de Odin, e continuamente o pergunta, de forma grosseira: 
"Bem, você quer saber mais?" 
Mas Odin insiste: se deve cumprir sua função como o rei dos deuses, deve possuir todo o conhecimento. 
Uma vez que o sybil revela os segredos de passado e de futuro, cai para trás em forma de limbo: 
"Eu dissiparei agora".

O PASSADO
No início havia somente o mundo das névoas, Niflheim e o mundo de fogo, Musphelhein, e entre eles havia o Ginungagap, "um grande vazio" no qual nada vivia. 
Em Ginungagap, o fogo e a névoa se encontraram formando um enorme bloco de gelo. 
YMIR - O GIGANTE DE GELO ADORMECIDO
Como o fogo de Musphelhein era muito forte e eterno, o gelo foi derretendo até surgir a forma de um gigante primordial, Ymir, que dormiu durante muitas eras. 
O seu suor deu origem aos primeiros gigantes. 
E do gelo também surgiu uma vaca gigante, Audumbla, cujo leite jorrava de suas tetas primordiais em forma de 4 grandes rios que alimentavam Ymir. 
A vaca lambeu o gelo e libertou o primeiro deus, Buro, que foi pai de Borr, que por sua vez foi pai do primeiro Æsir, Odin, e seus irmãos, Vili e Ve. 
Então, os filhos de Borr, Odin, Vili e Ve, destroçaram o corpo de Ymir e, a partir deste, criaram o mundo. 
Audumbla - a vaca gigante
De seus ossos e dentes surgiram as rochas e as montanhas e de seu cérebro surgiram as nuvens.
Os deuses regularam a passagem dos dias e noites, assim como das estações. 
Os primeiros seres humanos eram Ask (carvalho) e Embla (olmo), que foram esculpidos em madeira e trazidos à vida pelos deuses Odin, Honir/Vili e Lodur/Ve. 
Sol era a deusa do sol, filha de Mundilfari e esposa de Glen. 
Todo dia, ela montava através do céu em sua carruagem puxada por dois cavalos nomeados Alsvid e Arvak. 
Skoll -o lobo- perseguindo a carruagem do Sol
Esta passagem é conhecida como Alfrodul, que significa "glória dos elfos", que se tornou um kenning comum para o sol. 
Sol era perseguida durante o dia por Skoll, um lobo que queria devorá-la. 
Os eclipses solares significavam que Skoll quase a capturava. 
Na mitologia, era fato que Skoll eventualmente conseguia capturar Sol e a devorava; entretanto, a mesma era substituída por sua filha. 
O irmão de Sol, a lua, Mani, era perseguido por Hati, um outro lobo. 
Na mitologia nórdica, a terra era protegida do calor do sol por Svalin, que permanecia entre a terra e a estrela. 
Nas crenças nórdicas, o sol não fornecia luz, que emanava da juba de Alsvid e Arvak.
ENQUANTO SKOLL PERSEGUE SOL, HATI PERSEGUE MANI [LUA]
A Sybil descreve a enorme árvore que sustenta os nove mundos, Yggdrasil e as três Nornas (símbolos femininos da fé inexorável, conhecidas como Urðr (Urdar), Verðandi (Verdante) e Skuld, que indicam o passado, a atualidade e futuro), as quais tecem as linhas do destino. 

Descreve também a guerra inicial entre os Æsir e os Vanir e o assassinato de Balder. 
Então, o espírito gira sua atenção ao futuro.

O FUTURO

A visão antiga dos nórdicos sobre o futuro é notavelmente sombria e pálida. 
Ragnarök - a grande batalha no final dos tempos entre a ordem e o caos
No final, as forças do caos serão superiores em número e força aos guardiões divinos e humanos da ordem. 
Loki e suas crianças monstruosas explodirão suas uniões; os mortos deixarão Niflheim para atacar a vida. 
Heimdall, guardião das divindades, convocará os deuses com o soar de sua trombeta de chifre. 
Se seguirá uma batalha final entre ordem e caos (Ragnarök), que os deuses perderão, como é seu destino. 
Os deuses, cientes de sua sina, recolherão os guerreiros mais finos, o Einherjar, para lutar em seu lado quando este dia vier. 
FENRIR - O LOBO
No entanto, no final, seus poderes serão pequenos para impedir que o mundo caia no caos onde ele se emergiu, e os deuses e seu mundo serão destruídos. 
Odin será engolido por Fenrir, o lobo. 
Mesmo assim, ainda haverá alguns sobreviventes, humanos e divinos, que povoarão um mundo novo, para começar um novo ciclo. 
Ou assim Sybil nos diz; os estudiosos ainda se dividem na interpretação das últimas estrofes e deixam em dúvida se esta não foi uma adição atrasada ao mito por causa da influência cristã. 
Se a referência for anterior a cristianização, o mito do final dos tempos do Völuspá pode refletir uma tradição indo-européia que se deriva dos mitos do zoroastrismo persa. 
O zoroastrismo inspirou também os mitos de final de mundo do judaísmo e do cristianismo.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

MITOLOGIA NÓRDICA

ODIN - O DEUS SUPREMO DA MITOLOGIA NÓRDICA
A MITOLOGIA NÓRDICA, também chamada de mitologia germânica, mitologia viking ou mitologia escandinava se refere a uma religião pré-cristã, crenças e lendas dos povos escandinavos, incluindo aqueles que se estabeleceram na Islândia, onde a maioria das fontes escritas para a mitologia nórdica foram construídas. Esta é a versão mais bem conhecida da mitologia comum germânica antiga, que inclui também relações próximas com a mitologia anglo-saxônica. Por sua vez, a mitologia germânica evoluiu a partir da antiga mitologia indo-européia.
THOR - DEUS DO TROVÃO
A MITOLOGIA NÓRDICA é uma coleção de crenças e histórias compartilhadas por tribos do norte da Germânia (atual Alemanha), sendo que sua estrutura não designa uma religião no sentido comum da palavra, pois não havia nenhuma reivindicação de escrituras que fossem inspirados por algum ser divino. A mitologia foi transmitida oralmente principalmente durante a Era Viking, e o atual conhecimento sobre ela é baseado especialmente nos Eddas e outros textos medievais escritos pouco depois da cristianização.
No folclore escandinavo estas crenças permaneceram por mais tempo, e em áreas rurais algumas tradições são mantidas até hoje, recentemente revividas ou reinventadas e conhecidas como ÁSATRÚ ou ODINISMO. A mitologia remanesce também como uma inspiração na literatura assim como no teatro e no cinema.
Tîwaz - PREDECESSOR DE ODIN
A família é o centro da comunidade, podendo ser estreitamente relacionada tanto com a fertilidade-fecundidade quanto com a agressividade de um povo hostil e habituado as guerras, em uma sociedade totalmente rural que visa a prosperidade e a paz para si. Deste modo, a religião é muito mais baseada no culto do que no dogmatismo ou na metafísica, uma religiosidade baseada em atos, gestos e ritos significativos, muitas vezes girando em torno de festividades a certos deuses, como ODIN e TÎWAS (identificado por alguns estudiosos como predecessor de ODIN).
Pode-se dizer que a religião viking não existia sem um ritual e abordava exclusivamente o culto aos ancestrais; era uma religião que ignorava o suicídio, o desespero, a revolta e mais do que tudo, a dúvida e o absurdo. Segundo alguns autores, era "uma religião da vida".

FONTES LITERÁRIAS
PÁGINA DO Gesta Danorum
A maior parte desta mitologia foi passada adiante oralmente, sendo que grande parte dela foi perdida, salvando-se apenas o pouco que ficou registrado em algumas obras literárias que datam da Era Medieval. são estas obras as seguintes:
1) Gesta Danorum - desenvolvido pelo dinamarquês Saxo Grammaticus onde, entretanto, os deuses nórdicos estão fortemente descaracterizados.
2)  Prose of Younger Edda - escrita no início do Século XIII. À primeira vista, ele parece um manual para aspirantes a poetas, que lista e descreve os contos tradicionais que deram forma à base de expressões poéticas padronizadas, tais como os kennings. O autor da Prose of Younger Edda é reconhecido como sendo Snorri Sturluson, o renomado chefe, poeta e diplomata da Islândia.
PÁGINA DE UM DOS EDDAS
3) Elder Edda (também conhecido como o Edda Poético) - escrito aproximadamente 50 anos mais tarde. Contém 29 poemas longos, sendo que 11 tratam sobre as divindades germânicas e o resto se referem aos heróis legendários como Sigurd, da Saga de Volsunga (o Siegfried da versão alemã do poema Nibelungenlied). Embora os estudiosos acreditem que esta coleção de poemas tenha sido desenvolvida mais tarde do que o Younger Edda, é creditado o nome de Elder Edda para esta obra por causa da antiguidade atribuída aos textos.

FONTES ANTROPOLÓGICAS E GEOGRÁFICAS
ALFABETO RÚNICO

1) Folclore escandinavo - Ainda fazem parte e sobrevivem na Escandinávia diversas lendas cujas origens se encontram na mitologia nórdica.
2) Nomes de lugares - Na Escandinávia muitas regiões e lugares receberam nomes cuja origem se encontra nos deuses da MITOLOGIA NÓRDICA.
SLEIPNIR - O CORCEL DE OITO PATAS QUE SERVIA DE MONTARIA PARA ODIN
3)  Incrições rúnicas - Tais como Rök Runestone e o amuleto de Kvinneby, entalhados em caractereres rúnicos, que fazem referências a mitologia.


FREYR - DEUS DO SOL, DA CHUVA E DA AGRICULTURA, PATRONO DA FERTILIDADE
4) Entalhes em pedra -  Há também diversas imagens entalhadas na pedra que descrevem cenas da MITOLOGIA NÓRDICA, tais como a viagem de pesca de THOR, cenas da saga de Völsunga, ODIN e SLEIPNIR, ODIN sendo devorado por Fenrir, e Hyrrokkin viajando ao funeral de Balder. Há também imagens menores, tais como os figuras que descrevem os deuses ODIN (com só um olho), THOR (com seu martelo) e FREYR.