MITOLOGIAS MUNDIAIS E CONCEITOS

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domingo, 29 de abril de 2012

HECATE



A deusa Hecate ou Hécate (em grego antigo: Εκάτη, Hekátē) é mais comumente dada como filha dos titãs Perses e Astéria (Noite-Estrelada), mas como todos os mitos mais antigos, as lendas não são muito claras, devido à escassez de registros escritos e documentos, e em alguns mitos ela aparece como filha de Tártaros e Nyx; ou, mais raramente, de Zeus e Hera, o que não faz muito sentido, justamente por se tratar de um mito tão antigo, provavelmente anterior aos deuses do Olimpo. Mas aparentemente não tão antigo quanto os primeiros deuses ligados à criação, pois há fortes indícios que seu culto não se iniciou na Grécia, mas depois foi incorporado aos mitos gregos, portanto a versão mais aceita é a primeira: Perses e Astéria.
Hécate, em grego, significa "a distante”, embora alguns atribuam a origem do nome à palavra egípcia Hekat que significaria "Todo o poder", já que supostamente Hécate teria se originado em mitos do sudoeste asiático e posteriormente assimilada para a religião greco-romana.
Ela enviava aos humanos os terrores noturnos e aparições de fantasmas e espectros. Também era considerada a deusa da magia e da noite, mas somente em seus aspectos mais terríveis e obscuros.
Era associada a Ártemis, mas havia a diferença de que Ártemis representava a luz lunar e o esplendor da noite. Também era associada à deusa Perséfone, a rainha dos infernos, ou seja, o Tártaro, lugar onde Hécate vivia acompanhada por uma matilha de lobos. Os gregos chamavam-na de A Megera dos Mortos.
Nos mitos Hecate está sempre relacionada com feitiços e obscuridade, portanto, os magos e bruxas da Antiga Grécia lhe faziam oferendas com cachorros e cordeiros negros no final de cada lua nova.
Era representada com três corpos e três cabeças, ou um corpo e três cabeças. Levava sobre a testa o crescente lunar (tiara chamada de pollos), uma ou duas tochas nas mãos e com serpentes enroladas em seu pescoço.
Era uma deusa muito temida, pois se tratava de uma poderosa bruxa por quem até mesmo os deuses do Olimpo tinham temor. Quando aconteceu a fusão entre os mitos gregos com os da Antiga Roma, quando esta dominou a Grécia, os romanos assimilaram Hécate a Trívia, deusa das encruzilhadas, embora a relação dada entre ambas não seja tão perfeita como em outros casos da mitologia.
Hécate se uniu primeiramente com Fórcis e foi mãe do monstro Cila e depois com Aestes [ou Eetes], de quem gerou a feiticeira Circe. Em outros mitos, Cila era uma ninfa que foi transformada por Circe num monstro marinho.
O cipreste estava associado a Hécate. Seus animais eram os cachorros, lobos e ovelhas negras.
Suas três faces simbolizam a virgem, a mãe e a senhora. Eram esses os aspectos que podia assumir, cada um deles ligado a uma das três fases da lua (na antiguidade grega só se atribuíam à lua três fases).
Hecate era associada tanto ao bem quanto ao mal. Na forma de anciã, inspirava medo e terror, era tida como malévola, cruel e inflexível, mas como donzela e mãe lhe eram atribuídas outras qualidades e lhe chamavam “a mais amável”.
Nos mitos, seu papel foi sempre secundário. Participou da Titanomaquia (a guerra entre os deuses olimpianos e os Titãs) como aliada de Zeus, embora dois dos Titãs fossem seus pais. Foi tão valiosa a sua ajuda, que
Zeus não se poupou na recompensa e concedeu-lhe uma devida parte em todos os domínios, oferecendo-lhe poder sobre a terra, o céu e o mar e, até, sobre o submundo que a Deusa tornou a sua moradia. Era, portanto uma divindade tripla: lunar, infernal e marinha. Os marinheiros consideravam-na sua deusa titular e pediam-lhe que lhes assegurasse boas travessias.


Hécate ajudou Deméter a procurar sua filha Perséfone quando esta foi raptada por
Hades e combateu Hércules quando ele tentou enfrentar Cérbero, o cão de três cabeças que toma conta dos portões do Tátaro e que faz companhia a ela no mundo subterrâneo.
De Todos os animais que lhe eram consgrados, os cães eram os seus preferidos, daí o motivo dela enfrentar Hércules tentando proteger Cérbero.


Apesar de ter escolhido o Tártaro como sua moradia, durante a noite ela ainda sai do submundo e caminha pelo nosso mundo, fazendo-se acompanhar do seu séquito de fantasmas e anunciada pelo ladrar dos cães, os seus animais mais queridos. Por sua constante presença na Terra e por acreditarem que durante seus passeios noturnos ela podia ser vista por aqueles que viajavam durante a noite, ela era considerada, entre todos os deuses, a que vivia mais próxima dos homens, apesar do signifcado de seu nome [a distante].


Hecate era a mais antiga forma grega da Deusa Tríplice, uma divindade Noturna da vida e da morte. Possuía títulos como “Rainha do Mundo dos Espíritos”, “Deusa da Bruxaria”, Deusa da Lua Minguante, guardiã das encruzilhadas, senhora dos mortos e rainha da noite.
Ela era homenageada com procissões em que se carregavam tochas e oferendas para as conhecidas "ceias de Hécate".
Lendas de Hécate eram contadas por todo o Mediterrâneo. Especialmente para os trácios, Hécate era a Deusa da Lua, das horas de escuridão e do submundo. Parteiras eram ligadas a ela, pois os gregos e trácios acreditavam que ela controlava o nascimento, a vida e a morte.
Segundo essas lendas, Hecate era cultuada pelas guerreiras amazonas como a Deusa da Lua Nova, uma das três faces da Lua, a regente do
Submundo, e conduzia uma carruagem puxada por dragões. Era uma deusa caçadora que sabia de seu papel no reino dos espíritos e todas as forças secretas da Natureza estavam sob o seu controle. Todos os animais selvagens lhe eram consagrados e por isso algumas vezes era representada com três cabeças de animais.


Outros de seus símbolos eram a chave e o caldeirão. As mulheres que a cultuavam normalmente tingiam as palmas de suas mãos e as solas dos pés com hena.
Seus festivais aconteciam durante a noite, à luz de tochas. Anualmente, na ilha de Aegina, no golfo Sarônico, acontecia um misterioso festival em sua honra.
Um de seus animais sagrados era a rã, um símbolo da concepção. Outro animal sagrado era o cão.
Era chamada de A Deusa das Transformações, pois regia várias passagens da vida, e podia alterar formas e idades.
Hécate era considerada como o terceiro aspecto da Lua, a Megera ou a Anciã (Portadora da Sabedoria).
No início, Hécate não era uma Deusa ruim. Após a queda do matriarcado, os gregos a cultuavam como uma das rainhas do Submundo e governante da encruzilhada de três caminhos.
É uma Deusa que tem inúmeros atributos e provavelmente seja a menos compreendida da mitologia grega.
Ela não reina apenas sobre a bruxaria e a morte, mas também sobre o nascimento, o renascimento e a renovação.
Em tudo o que se refere a essa deusa existe sempre a triplicidade, por isso ela possuia diferentes títulos e atributos. Como Perseis, a destruidora, ela inspirava medo e terror, no entanto, em seu aspecto de Atalos, a delicada, era vista como uma divindade doce e protetora, zelava pelos homens e livravá-os de roubos e assassínios, e ajudava as crianças a atravessar os perigosos anos da infância sem grandes problemas.
[Obs.: É historicamente provado e registrado que na antiguidade a mortandade infantil era muito grande, devido a diversos fatores, como por exemplo piores condições de vida, mas principalmente devido aos parcos recursos da medicina naquela época, o que fazia muitas crianças perecerem de diversas doenças antes de chegarem a idade adulta, por isso o período da infância era considerado um dos mais perigosos e difíceis de se atravessar.]

 Como Skylakagetis, ela era a Senhora dos cães, sua protetora, e fazia-se sempre acompanhar por um enorme cão negro. No Passado esse cão havia sido Hécuba, esposa do Rei Príamo de Tróia, pai de Heitor e Alexandre (ou Páris para os gregos), mas também de Polidomus, que era  filho mais novo de Hécuba e Príamo. Hécuba encontrou Polidomus esfaqueado, ainda bebê, pelo rei da Trácia, por casião da invasão de Tróia. Possuída pela dor e desesperp de ver o filho morto, Hécuba matou o assassino e atirou-se da torre, mas os Deuses tiveram pena dela e antes que tivesse atingido o chão transformaram-na num cão que Hécate imediatamente adotou e consevava sempre em sua companhia.
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Representação moderna de Hecate


Hécate era evocada pelos gregos para protegê-los dos perigos e das maldições, e para tanto havia na entrada de cada casa um altar em que lhe eram feitas libações. Havia também altares nos cruzamentos onde era costume deixar comida para os pobres, e todos os meses, na noite sem lua, os gregos, pelo menos os atenienses, celebravam esta deusa deixando uma oferta de comida para os pobres em frente à porta de suas casas.


Hécate, portanto, tinha um lado tão benéfico e generoso, quanto outro sombrio e assustador, mas foi provavelmente graças à campanha cristã em transformar os antigos deuses em demônios, que se acentuaram seus aspectos obscuros e a forma como esse mito é interpretado e visto nos dias de hoje.

REPRESENTAÇÕES CLÁSSICAS DA DEUSA:


































OUTROS MITOS LIGADOS A HECATE:
Seus pais: os Titãs Perses, o destruídor, e Astéria, a noite estrelada. Sendo filha de Perses, Hécate, em um de seus aspectos, ficou também conhecida como Perseis, a destruidora  [Não confundir com a oceânide Perseis, que era uma das filhas de Oceanus].
Nyx, a noite, foi a  mãe de todos os Titãs, portanto, avó de Hécate, mas em alguns mitos aparece como sua mãe.
As duas deusas estão tão intimamente ligadas, mas como se fossem opostos uma da outra, que muitas vezes Ártemis é cofundida como uma das faces de Hécate, no caso a virgem, mas na verdade são duas deusas distintas. Enquanto Ártemis representa a luz da lua e o esplendor da noite, e vive no Olimpo, ou seja, nas alturas, Hécate é o lado escuro da lua e vive no submundo, o mundo dos mortos, que os gregos acreditavam ficar no subsolo da Terra. Ambas também são caçadoras.

Perséfone era outra divindade que era sempre associada a Hecate, pois ambas dividem o título de senhoras do submundo, Hécate por direito e antiguidade e devido á sua própria natureza, pois atua tanto sobre a vida como sobre a morte, e Perséfone na qualidade de esposa de Hades, Senhor absoluto do Tátaro, que lhe coube quando, após derrotar os Titãs, os três deuses mais poderosos dividiram entre si o mundo: Os céus e a Terra para Zeus, os mares e oceanos para Poseidon, o Mundo os Mortos para Hades. Quando Hades sequestrou Perséfone para casar-se com ela, enquanto ela colhia flores na Terra, foi Hécate que ajudou a localizá-la. Deméter, mãe de Perséfone, ficou inconsolável e pediu a intervenção de Zeus. Fez-se um acordo, então, no qual Perséfone passaria metade do ano no Olimpo na companhia de sua mãe e a outra metade vivendo no Tártaro, junto a seu esposo, período esse em que Hécate se faz presente como sua amiga e companhia. A forte ligação entre essas deusas fez que Pérsefone também fosse confundida com o aspecto mais jovem de Hécate, sendo Deméter a mãe e Hécate propriamente dita a anciã, como se essas três deusas se juntassem para formar uma trindade. Mas essa interpretação também é errada, talvez causada pela dificuldade da mente moderna em assimilar Hécate como uma deusa tríplice, porém única, ou seja três em uma só, o que provavelmene causou a idéia errônea de que na verdade seriam três deusas distintas, porém interligadas.


Trívia era a deusa romana que correspondia à Hécate dos gregos. Com o sincretismo entre as duas mitologias, passaram a ser cultuadas como uma única deusa.

Fórcis era um deus marinho, filho de Pontos, o mar, e Gaia, a terra. Da união de Fórcis e Hécate nasceu o monstro Cila. De acordo com alguns mitos, Cila não nasceu monstruosa, mas era uma ninfa que a feiticeira Circe transformou em um monstro marinho.

Eetes foi um rei lendário da Cólquida, atual Geórgia. Ele era filho de Hélios [sol ou luz do sol] e Perseis, que era uma das oceânides, filhas de Oceanus. Eetes, às vezes também chamado Aestes, era neto dos Titãs Hiperião [ou Hiperion] e Teia, por parte de pai, e de Oceanus e Tétis por parte de mãe. Existem diferentes versões sobre esse mito. Numa dessas versões Eetes se uniu a Hécate e dessa união nasceu a feiticeira Circe, que transformava homens em animais, preferencialmente porcos. Em outra versão Circe não é sua filha, e sim sua irmã, portanto filha também de Hélios e Perseis. Mas em ambas as versões Eetes está ligado a Hécate, pois posteriormente veio a casar-se com a ninfa Asterodia, sua primeira esposa, que de a luz a Calcíope e Medéia.
Medéia veio a tornar-se uma poderosa feiticeira, e como tal, seguidora de Hécate, que é a deusa da magia, mentora e protetora dos magos e bruxas. Circe e Medéia são as mais célebres feiticeiras da mitologia grega, ambas devotas e seguidoras de Hécate, a quem provavelmente deviam seus grandes poderes.


A Rainha Hécuba, esposa de Príamo, rei de Tróia, depois de matar o assassino de seu filho mais jovem, esfaqueado ainda bebê em seu berço, atirou-se de uma torre, mas os deuses se apiedaram e a transformaram num enorme cão negro antes que tocasse o chão, Hécate, então a acolheu e e passou a trazê-la sempre em sua companhia.


domingo, 29 de janeiro de 2012

Urano [também chamado Ouranus ou Uranus] / Caelus ou Coelus, na mitologia romana

OURANUS
Urano (em grego antigo, Ουρανός, translit.: Ouranos, ‘céu’, ‘firmamento’, latinizado como Uranus) era uma divindade da mitologia grega que personificava o céu.

Foi gerado espontaneamente por Gaia (a Terra) e veio a casar-se com ela.


Ambos foram ancestrais da maioria dos deuses gregos, mas nenhum culto dirigido diretamente a Urano sobreviveu até a época clássica, e o deus não aparece entre os temas comuns da cerâmica grega antiga.

Não obstante, a Terra [Gaia], o Céu [Urano] e Estige [o Rio Estige] podiam unir-se em uma solene invocação na época homérica.
Urano teve vários filhos (e irmãs), entre os quais os Titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros (seres gigantes de 50 cabeças e 100 braços).
Odiava seus filhos e por isso mantinha todos presos no interior de Gaia, a Terra.

Esta então instigou seus filhos a se revoltarem contra o pai.
Cronos, o mais jovem, assumiu a liderança da luta contra Urano e, usando uma foice oferecida por
GAIA - A MÃE TERRA
Gaia, castrou seu pai e jogou seus testículos ao mar.

Formou-se uma espuma, da qual brotou AFRODITE, a deusa do amor.

Do sangue de Urano que caiu sobre a terra, nasceram os Gigantes, as Erínias e as Melíades.

A maioria dos gregos considerava Urano como um deus primordial (protogenos) e não lhe atribuía filiação.

Cícero afirma, em De Natura Deorum ("Da Natureza dos Deuses"), que ele descendia dos antigos deuses Éter e Hemera, o Ar e o Dia. Segundo os hinos órficos, Urano era
filho da noite, NYX.
Seu equivalente na mitologia romana é Caelus ou Coelus - do qual provém caelum (coelum), a palavra latina para "céu".

Mito de criação
Segundo o mito da criação do Olimpo, relatado por Hesíodo na Teogonia, Urano vinha todas as noites cobrir a Terra (Gaia), mas ele odiava as crianças geradas.

Hesíodo cita  como descendentes de Urano, os Titãs (seis filhos e seis filhas), os Hecatônquiros (gigantes de 50 cabeças e 100 braços) e os Ciclopes (gigantes com um só olho).
OURANUS, KRONOS E GAIA
KRONOS SURPREENDE SEU PAI OURANUS E O CASTRA

Urano aprisionou os filhos mais novos de Gaia no Tártaro, nas entranhas da Terra, causando grande dor a Gaia.

Ela forjou uma foice e pediu aos filhos para castrarem Urano no momento em que ele a viesse possuir.

Apenas Cronus, o mais jovem dos Titãs, concordou.

Ele esperou que o pai viesse sobre Gaia, e o momento em que ele a penetrou, castrou-o e lançou os testículos cortados ao mar.

Do sangue derramado de Urano sobre a Terra nasceram os Gigantes, as três Erínias, as Melíades, e segundo alguns, os Telquines.

A partir dos testículos lançados ao mar nasceu Afrodite.
NASCIMENTO DE AFRODITE

Alguns dizem que a foice ensanguentada foi enterrada na terra e daí nasceu a fabulosa tribo dos Feácios.

Depois de Urano ter sido deposto, Cronus re-aprisionou os Hecatônquiros e os Ciclopes no Tártaro, pois temia sua força e poder.

Urano e Gaia profetizaram que Cronus, por sua vez, estava destinado a ser derrubado por seu próprio filho, e assim o Titã tentou evitar essa fatalidade devorando os seus filhos.
KRONOS [SATURNO NA MITOLOGIA ROMANA]
DEVORANDO UM DE SEUS FILHOS

Zeus, graças a artimanhas de sua mãe Reia, conseguiu evitar este destino.

Estes antigos mitos de origens distantes não constam em cultos na Hellenos (Kerenyi, p. 20).

O papel de Urano é o de um deus derrotado de um tempo anterior ao tempo real.

Depois da sua castração, o céu não veio mais para cobrir a Terra à noite, cigindo-se ao seu lugar, e "a geração original chegou ao fim" (Kerenyi).

Urano foi raramente considerado como antropomórfico, à parte a genitália do mito da castração.

Ele era simplesmente o céu, o qual foi concebido pelos antigos como uma grande cúpula ou teto de bronze, sustentada (ou mantida a girar num eixo) pelo Titã Atlas.

Em expressões arcaicas, nos poemas homéricos, ouranos às vezes é uma alternativa a Olimpo, como a casa dos deuses.

Uma ocorrência óbvia seria o momento, no final da Ilíada I, quando Tétis sobe do mar para pleitear com Zeus: "e logo pela manhã, ela elevou-se para saudar Ouranos e Olimpo e ela encontrou o filho de Cronos…"

"'Olimpo' é utilizado quase sempre como casa, mas ouranos muitas vezes refere-se ao céu natural acima de nós, sem qualquer sugestão de deuses vivendo lá," segundo o mitólogo William Sale.
OLIMPO - A MORADA DOS DEUSES

Sale concluiu que a primeira sede dos deuses era o atual Monte Olimpo, tendo a tradição épica no tempo de Homero mudado a sua residência para o céu, ouranos.

Pelo sexto século, quando a "Afrodite celestial" estava a ser distinguida da "Afrodite comum do povo", ouranos significava apenas a própria esfera celeste.



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

TÁRTARO OU TÁRTARUS



O Tártaro - região do submundo para  onde vão 
as almas dos que merecem ser castigados e 
não tem direito a paz eterna. Ali os condenados 
passam por expiações inimagináveis, castigos 
terríveis, dores, trevas e danações.
Na mitologia grega clássica, abaixo de Urano (céu), Gaia (terra) e Pontus (mar) encontra-se Tártaro, ou Tártarus (do grego Τάρταρος, lugar profundo).

Trata-se de um lugar sombrio, um poço ou um abismo usado como uma masmorra de tormento e sofrimento e que se localiza no submundo, ou seja, nas profundezas da terra.

No Górgias, Platão (c. 400 A.C.) escreveu que almas foram julgadas depois da morte e as que mereciam punição foram enviadas ao Tártaro.

Mas a palavra não se refere somente a um lugar, mas também ao deus que deu origem a ele.

Tártarus, um dos filhos de Khaos, teria 
sido a terceira força a emanar do vazio que 
existiu antesde todas as coisas, portanto, 
é um dos deuses primordiais e existiu 
antes que surgisse a luz e os cosmos.
Tártarus é uma das primeiras criaturas a existir, a emergir do vazio para a existência.

Normalmente aceito como um dos filhos de Khaos, o primeiro de todos os deuses, portanto, da primeira geração dos deuses, o que faz dele um dos deuses primordiais.

Ele existiu antes que surgissem a luz e os Cosmos.

Para o poeta Hesíodo, Tártarus foi a terceira força a emanar do vazio que existiu antes de todas as coisas, logo após o próprio Khaos e Nix, a noite, e imediatamente antes de Gaia, a Terra.

O Tártaro, para os gregos antigos, corresponde ao lugar que o cristianismo chamaria de inferno.

Para lá vão as almas dos que merecem ser castigados e não tem direito a paz eterna.

Os Campos Elíseos é uma outra região do Hades, para lá são
encaminhadas as almas que merecem a paz e o descanso eterno;
Lá elas praticam esportes, jogos, etc. É a merecida paz 
e felicidade eterna dos justos e bem aventurados.
Na antiguidade mais remota, acreditava-se que o Tártaro ficava ainda mais distante e abaixo do Hades, o mundo dos mortos, governado pelo deus Hades (ou Plutão para os romanos), de cujo nome originou-se também o nome do lugar.

Já numa menos antiga concepção, Tártaro é uma das regiões do Hades, que se dividiria em 3 sítios distintos: o Érebus, o Tártaro e os Campos Elíseos.

O Érebus seria a primeira região onde chegariam as almas após a morte.

Ali, à beira do Rio Aqueronte, essas almas ficariam esperando pela barca de Caronte, que os faria atravessar para o outro lado do rio, chegando, então, ao Tártaro.
Caronte e sua barca

Ali no Tártaro essas almas receberiam seu julgamento, os justos e valorosos eram conduzidos aos Campos Elíseos, onde seriam agraciados com a paz eterna e uma “existência” tranqüila na morte.

Os que não eram dignos de serem conduzidos aos Campos Elíseos, deveriam permanecer no Tártaro, que é o lugar das expiações eternas, castigos terríveis, dor, trevas e danações.

Uma muralha separaria a região do Tártaro dos Campos Elíseos, e nos portões dessa muralha Cérberus [ou Cérbero], um enorme cão de três cabeças, monta guarda para impedir que os condenados tentem fugir do Tártaro e chegar aos Campos Elíseos.


É para o Tártaro que os deuses enviam aqueles que se opõe a eles, os que lhes ofenderam e os que cometeram em vida atrocidades, crimes abomináveis e injustiças.

Cérberus - o cão de três cabeças
No Tártaro encontram-se os Titãs, para ali lançados depois que Zeus e seus aliados os derrotaram, assim como os Hecatônquiros, gigantes que cem braços que foram incubidos de montar guarda no Tártaro parra impedir a fuga dos condenados, embora a verdadeira intenção de Zeus ao enviá-los para lá era mantê-los afastados, pois temia sua força caso viessem a conspirar contra ele, o que de fato acabou por acontecer.

Kronos, pai de Zeus, também foi precipitado ao Tártaro quando seu filho o derrotou.

Íxion, um dos mais célebres "moradores" do Tártaro.
Tifão [ou Tífon] , filho de Tártarus e de Gaia, também se opôs a Zeus e como castigo foi igualmente lançado ao Tártaro.

Até mesmo o deus Apolo, que a julgar pelas lendas parece ser um dos filhos preferidos de Zeus, também já passou um tempo aprisionado no Tártaro, mas seu pai acabou por libertá-lo.

São inúmeras as lendas e os criminosos que fizeram por merecer o castigo eterno no Tártaro, entre estes os mais célebres são: Rei Sísifo; Rei Tantalus; Íxion, O rei dos lápitas; as Danaides, que foram condeadas pelos assassinatos de seus maridos; o gigante Tityos [ou Tício], o Rei Salmoneus.

De Acordo com o filósofo Platão, são 3 os incubidos de julgar e determinar a punição das almas recém chegadas ao Tártaro: Radamanto, Éaco [ou Aeacus] e Minos.

ÉACO, MINOS E RADAMANTO

Radamanto é responsável por julgar as almas dos asiáticos, Éaco julga os europeus e a Minos cabe julgar as almas dos gregos e de dar a palavra final e decisiva em todos os casos em que haja qualquer discordância entre os outros julgadores.


O TÁRTARO SEGUNDO A CONCEPÇÃO DOS ANTIGOS ROMANOS


Almas aprisonadas no tártaro sendo torturadas por seus crimes.

As mitologias grega e romana ficaram tão intrinsecamente ligadas depois que Roma derrotou e dominou a Grécia, que é praticamente impossível separá-las e determinar qual mito é de origem grega e qual é de origem romana.

Mas é fato aceito que a maioria dessas lendas e mitos são de origem grega, pois embora militarmente sob o domínio de Roma, culturalmente a Grécia superou seu dominador e o suplantou, Roma praticamente perdeu sua identidade e assimilou a cultura grega.

O Tártaro e seu cortejo de alma condenadas

Os mitos e deuses romanos mantiveram seus nomes, mas as lendas e histórias originais praticamente foram esquecidas e quase que inteiramente substituídas pelas lendas e histórias gregas.

Mesclaram-se as duas, porém prevalecendo mais a grega.

A concepção romana do Tártaro, portanto, é a mesma dos gregos, um lugar de expiações e castigos para aqueles que já morreram, mas existem algumas pequenas diferenças no que diz respeito a descrição do lugar.

TISÍFONE
O poeta Virgílio descreve o Tártaro como um lugar gigantesco, rodeado por um rio de chamas chamado Flegetonte e por paredes triplas para impedir que os pecadores possam fugir.

O lugar é guardado por uma hidra de cinqüenta maxilares, que está sempre de vigília a um portão protegido por sólidas colunas de adamantino, uma substância parecida com diamante, só que tão dura que se torna indestrutível.

Dentro, há um castelo com paredes amplas e uma torre de ferro muito alta.

No alto desta torre Tisífone está eternamente montando guarda, sempre armada de um chicote e sem jamais dormir.

Ela é uma das três Fúrias da mitologia romana: Tisífone (Castigo), Megera (Rancor) e Alecto (Interminável), que correspondem às Erínias para os gregos.

As 3 Fúrias ou erínias: Tisífone, Megera e Alecto
São as entidades responsáveis pelos castigos e punições, personificações da vingança, assim como a deusa Nêmesis, que punia os deuses, enquanto as Fúrias ou Erínias eram encarregadas de punir os mortais.

Elas nasceram das gotas do sangue que caíram sobre Gaia quando o Urano foi castrado por Cronos, mas na versão de Ésquilo, as Erínias são filhas de Nyx, a noite

Eram pavorosas, 
possuíam asas de morcego 
e cabelo de serpente.

Tisífone 
é a vingadora 
dos assassinatos 
(patricídio, fratricídio, 
homicídio, etc.)

Ela é a Erínia 
que açoita os culpados 
até enlouquecê-los.