MITOLOGIAS MUNDIAIS E CONCEITOS

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

NEOPAGANISMO: Asatrú Vanatru

Asatrú Vanatru é um movimento religioso neopagão que tenta reviver o paganismo nórdico existente na época dos Vikings – tal como descrito nos Eddas – antes da chegada do Cristianismo.

Vanatru é um nome originário dos deuses nórdicos Vanires, que se tornaram aliados dos Aesires após uma batalha na qual perderam, resultando nas duas nomenclaturas, que nomina à religião Asatru Vanatru, uma referência aos deuses Aesires e Vanires, parte constituinte do mundo pagão atual.

ODIN
Como o deus supremo da antiga mitologia nórdica era Odin, essa religião hoje em dia é também chamada de Odinismo.

Toda a mitología que a compõe, pode ser encontrada nas Sagas e nos Eddas, livros onde existem os escritos nordicos que retratam desde o início do mundo na visão nordica, passando pelas formas pelas quais Odin descobriu a magia, até contos de heróis lendários, como o Deus Thor e profecias de sua morte pela serpente filha de Loki, o deus da trapaça.

A religião Asatru fundamenta-se na vivência das "Nove Nobres Virtudes": Coragem, Verdade, Honra, Fidelidade, Disciplina, Hospitalidade, Laboriosidade, Independência e Perseverança. 

O conceito de Confiança , que pode ser interpretado como fé, não é uma das Nove Nobres Virtudes, porque se baseia nos princípios de esperar e acreditar, contrariando a premissa da Laboriosidade.

Um Asatruar virtuoso, ou odinista,  não cultiva esperanças de que algo aconteça, ele (ou ela)
trabalham arduamente pelas suas conquistas e pelas conquistas de seus Kin (Kin=Semelhantes. Membros do mesmo clã ou comunidade).

Um Kin não dá sua confiança espontaneamente, esta deve ser laboriosamente conquistada.

A cultura Asatru é voltada para uma visão de ordem social subordinada à ordem familiar.

Os membros se organizam em Clãs
Moça adepta do 
odinismo 
em momento de 
paz e meditação
[comunidades com várias famílias].

Cada membro da comunidade é um Kin, e é essencial a dedicação e comprometimento do indivíduo (Kin) para com seu grupo (Clã), bem como a dedicação e comprometimento do grupo para com cada indivíduo.

O Asatru não é uma religião expansionista, pois o conceito de compreensão das diversidades é intrínseco à natureza do politeísmo. Daí que não é uma prática aceitável para um Asatruar levantar críticas sobre as escolhas (religiosas, filosóficas, políticas ou sexuais) de qualquer indivíduo.

É uma premissa do Asatru que o "O Troth [*] não é para todos". De fato, os séculos de cruel perseguição religiosa sofridos pelos
politeístas ensinou muito sobre a benécie da civilidade e da tolerância.

Seu crescimento é percebido pelo mundo, principalmente nos países nórdicos mas também em Portugal e na Argentina, com movimentos menores no Brasil e Estados Unidos.


O Asatrú foi instituído a partir da década de 1960 na Islândia, pela Íslenska Ásatrúarfélagið uma organização fundada por Sveinbjörn Beinteinsson.

Asatrú é uma religião oficialmente reconhecida pelos governos da Islândia (desde 1973), Dinamarca (desde 2003) e Noruega.

O governo dos Estados Unidos não endossa ou reconhece oficialmente qualquer grupo religioso; todavia, numerosos grupos Asatrú têm sido reconhecidos com o status de organização sem fins lucrativos desde os anos 1970.

Embora o termo Asatrú originalmente se referisse
especificamente aos partidários islandeses da religião, neopagãos germânicos e grupos reconstrucionistas têm se identificado majoritariamente como Asatrú, particularmente nos Estados Unidos.

Neste sentido mais amplo, o termo Asatrú é usado como um sinônimo de neopaganismo germânico ou paganismo germânico, conjuntamente com os termos Forn Sed, Odinismo, Heithni, e outros.

Muitos membros do Asatrú e do neo-paganismo germânico se intitulam também de reconstrucionistas, muitas vezes recorrendo a estudos e pesquisas acadêmicas sobre a antiga religiosidade da Era Viking.

Especialmente os atuais praticantes dos países escandinavos, como a Noruega, mantém algum tipo
Casamento Odinista 
realizado na Islândia
de vínculo com as pesquisas historiográficas sobre religiosidade nórdica.


O Asatru é uma das mais antigas religiões, muitos séculos anterior ao cristianismo se levarmos em conta a era antiga e a antiga prática religiosa dos vickigs, mas se classifica como neopagaismo, já que ressurgiu, plo menos com esse nome, a partir do início dos anos de1960 e também porque no mundo atual, em que o cristianismo ainda é a religião predominante [mas não dominante, com certeza, felizmente], todas as religiões que não sejam cristãs são consideradas pagãs.

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Thor
filho de Odin
Um dos principais deuses 
cultuados pelos odinistas
[*]Troth: 
Conjunto de 
atividades, 
cerimônias, 
festividades 
e dogmas 
a serem 
seguidos 
pelos membros 
do Odinismo, 
organizados 
segundo 
um calendário.

sábado, 1 de outubro de 2011

Reis e heróis da Mitologia Nórdica

WAYLAND
A Mitologia Nórdica não trata somente
dos deuses e das criaturas supernaturais,
mas também sobre heróis e reis.
Muitos deles, provavelmente,
existiram realmente e as gerações
de estudiosos escandinavos tentam extrair
a história do mito a partir das sagas.
Às vezes, o mesmo herói ressurge
em diversas formas dependendo de
que parte do mundo germânico os
épicos sobreviveram.

Como exemplos podemos citar:

Wayland

Wayland ou Volund, é uma personagem de origem dupla, tanto nórdica e alemã, como também saxõnica.
Ambas as lendas se fundiram para criar o mito.
Tem características semelhantes com o Hefésto da Mitologia Grega,
também é coxo e fabrica armas e objetos de metal.

SIEGFRIED
Segundo algumas versões,
ele pertenceria ao povo anão,
em outras se parece com um ser humano normal.

Teve como esposa um ser místico,
uma "donzela-cisne",
uma criatura que se transforma de cisne em uma linda donzela quando despe suas penas de cisne para se banhar em lagos.

Parte da história de Weyland lembra outro trecho da Mitologia Grega:
ele teria passado parte de sua vida prisioneiro em uma ilha distante,
onde prestava serviços como ferreiro e fabricante de armas,
até conseguir fugir dali usando asas articiais,
a exemplo de Dédalo que fugiu da Ilha de Creta usando do memso artifício.

Siegfried ou Sigurd

É um dos heróis nórdicos mais populares.

SIEGFRIED E SUA 
ESPADA BALMUNG
Era humano, porém ganhou invulnerabilidade ao se banhar no sangue de um dragão.

Tinha também uma espada indestrutível, batizada com o nome de Balmung.

Ao se apoderar, porém, de um tesouro amaldiçoado, sua vida terminou em desgraça, assassinado pelo próprio irmão.

Foi vingado por Brynhild, antes sua companheira, de quem ele havia se esquecido e abandonado depois de ser enfeitiçado por outra pretendente.

Beowulf ou Bödvar Bjarki

Esse com certeza é o mais famoso
e conhecido herói da Mitologia Nórdica.

Grande aventureiro, guerreiro invencível,
matador de monstros terríveis.  

A Lenda de Beowulf é o mais antigo
texto saxônico de que se tem notícia,
escrito em inglês,
tendo assim dado origem a Literatura Inglesa.

BEOWULF,
NA VERSÃO ANIMADA
PARA O CINEMA
"A LENDA DE BEOWULF"
Apesar de escrito na Inglaterra,
os acontecimentos se passam na Escandinávia.

Conta a história de um guerreiro de força 
sobre-humana que derrota uma
criatura mosntruosa, Grendel.

Depois invade os domínios
da "mãe de Grendel",
um monstro fêmea ainda mais terrível,
progenitora das mais mostruosas criaturas
de que se tem notícia.

Acaba por ser coroado rei
e muitos anos depois,
já em idade avançada,
finalmente perece ao enfrentar
mais uma ameaça mortal,
um dragão que está levando morte
e destruição a todo seu reino.


Hagbard

Ele e seu irmão
Haki foram
os lendários  
Reis do Mar.

HAGBARD 
E SUA AMADA 
SIGNY
Hagbard se apaixonou
por Signy,
a filha do rei Sigar.

Este caso amoroso
terminou tragicamente
com suas mortes,
pois o maldoso Sigar
mandou executar Hagbard.


Starkad

Filho de Storwerk.

Diz-se que Starkad nasceu
a leste do Mar Báltico,
em Jotunheim,
filho de um gigante,
ou Jotun,
que tinha muitas mãos,
as quais foram removidas
por Thor até que apenas
duas restassem.

Ele conseguiu sobrevir
a um naufrágio,
depois do qual foi recebido
por Fródi, rei dinamarquês.

STARKAD
Fródi deu a ele um navio dragão
e a tarefa de patrulhar o litoral.

Nenhum mortal podia se igualar a ele,
pois ele tinha os dons da força sobrehumana
e da disposição nobre.

Ele era notável não apenas
por seu tamanho e coragem,
mas também por seus dons de menestrel.

Odin deu-lhe de presente
três vidas de homem,
para que ele pudesse cometer
um número correspondente
de atrocidades.

Ele serviu a muitos reis, tais como Erik e Alrik.

Ragnar Lodbrok

Era um rei semi-legendário
da Suécia e Dinamarca
que reinou durante os séculos VIII e IX,
filho de Sigurd Ring,
Ragnar Lodbrok
um rei da Suécia
que conquistou a Dinamarca.

Apesar de ser considerado
quase como um herói,
os relatos confiáveis sobre sua vida
são apenas esboços,
baseados principalmente
em antigas sagas dos vikings.
Até mesmo a datação
de seu reino é incerta.

Sigurd Ring

Sigurdr hringr, em Nórdico Arcaico,
nasceu por volta do ano 750.
Ele era sobrinho
do rei dinamarquês Harald Hildetand,
que o colocou no trono da Suécia.

Sigurd bateu seu tio
na colossal Batalha de Bråvalla,
quando se tornou também
rei da Dinamarca.

Governou até se tornar
muito velho,
quando então se apaixonou
pela bela Alvsol de Vendsyssel,
mas não obteve autorização
da família para se casar com ela.

Sigurd atacou os irmãos de Alvsol,
mas foi mortalmente ferido
durante a peleja.

Alvsol foi envenenada
para não ser capturada por Sigurd,
que então fez
com que ela e seus irmãos
fossem colocados em um
barco que foi incendiado
e posto a navegar para alto mar.
Ele era pai de Ragnar Lodbrok.
FUNERAL DE ALVSOL, AMADA DE SIGURD RING

ÚLTIMA CAMPANHA DE IVAR VIDFAMNE 
EM QUE ELE PERECE DERROTADO POR 
ODIN DISFARÇADO COMO
GUERREIRO VIKING
Ivar Vidfamne

Iicialmente rei da Scania,
depois conquistou
também a Suécia.

Segundo algumas fontes,
reinou também sobre a a Noruega,
Dinamarca, Saxônia
e partes da Inglaterra.

Sua última campanha
foi no Norte Leste
onde morreu,
derrotado por Odin disfarçado.

Harald Hildetand

Harald Wartooth,
em antigo Norse Haraldr Hilditönn,
ou em dinamarquês atual  
Harald Hildetand,
foi um rei legendário
que, entre os séculos VII e VIII,
reinou sobre Suécia, Dinamarca,
Harald Hildetand
Noruega e sobre a província
alemã setentrional de Wendland,
suposta origem da tribo dos vândalos.

De acordo com o
Chronicon Lethrense dinamarquês,
seu império chegava ao Mediterrâneo.

Shieldmaidens
No folclore escandinavo,
eram mulheres comuns
que escolheram lutar como guerreiros.

Mulheres assim aparecem
em praticamente todas as mitologias,
e já se tornaram parte
da consciência coletiva do mundo inteiro.

Há relatos de mulheres vickings
que participavam das guerras,
Shieldmaidens, mulheres guerreiras
mas não se pode afirmar
com certeza absoluta
se esses relatos são reais ou lendários,
exceto um episódio em particular,
registrado pelo historiador bizantino
Johannes Skylitzes, em que mulheres
participaram da batalha
quando o governante escandinavo de Kiev 
atacou os bizantinos na Bulgária em 971.

Brynhild ou Brunhild
a maisfamosa das 
shieldmaidens
Após a derrota dos vickings,
foram encontradas mulheres armadas
entre os guerreiros caídos.

De acordo com Saxo Grammaticus,
300 shieldmaidens lutaram
ao lado dos dinamarqueses
na Batalha de Bråvalla,
no ano de 750.

Pelo menos uma delas
é citada pelo nome,
Lathgertha, que lutou ao lado
de Ragnar Lodbrok
e o salvou da derrota 
Lathgertha
EOWYN, 
da saga O Senhor dos Anéis, 
foi inspirada no mito das guerreiras shieldmaidens
ao liderar pessoalmente
um ataque ao inimigo.

As shieldmaidens aparecem
em diversas sagas
da Mitologia Nórdica,
como a Hervarar
e a Gesta Danorum.

Aparecem também em histórias
de outras nações germânicas
como os godos, Cimbros
e marcomanos.

As mais conhecidas são Brynhild,
companheira de Siegfried
na Saga de Volsunga;
Hervor, da saga de Bósa Herrauds,
a Princesa sueca Thornbjörg
na saga de Hrólfs Gautrekssonr;
e Hed, Visna e Veborg
que aparecem no Gesta Danorum.



Pintura de Peter Nicolai reresentando a morte de 
HERVORS, uma shieldmaiden, 
em campo de batalha.


















quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O Tártaro segundo a mitologia cristã.

Para os antigos cristãos, e mesmo nos dias de hoje, tártaro seria simplesmente sinônimo de inferno.

Na realidade, o inferno cristão foi concebido e imaginado a partir da idéia do tártaro concebida pelos gregos e romanos, mas entre a mitologia cristã e as mitologias clássicas da antiguidade, destacam-se algumas diferenças relevantes:

INFERNO
Assim como o inferno foi concebido a partir da idéia do Tártaro, um lugar de sofrimento eterno para onde se encaminham as almas dos pecadores, o paraíso também foi concebido a partir dos Campos Elíseos, mas enquanto para os gregos o Tártaro e os Campos Elíseos eram apenas diferentes regiões do Mundo dos Mortos, a tradição popular cristã localiza o inferno também nas profundezas da terra, mas o paraíso se localizaria nos céus, e seria a morada de Deus e seus Anjos de luz.

PARAÍSO
Zeus em seu trono no Olimpo
É fácil entender o porque dessa “diferença geográfica”, pois o cristianismo prega o deus único, um deus que representaria a perfeição e as forças do bem.

A idéia que se tem desse Deus porém [segundo a tradição poupular], em parte foi absorvida do idéia que os antigos tinham de Zeus, pelo menos sua aparência, um homem mais velho, de barbas grandes e cabelos grisalhos, mas ainda com o vigor e a força da juventude.  

O Deus cristão em  seu trono nos céus
Zeus morava no Olimpo, na época o ponto mais alto da terra conhecido pelos antigos gregos, juntamente com os outros deuses mais poderosos, conhecidos como os deuses olimpianos, daí, então a idéia cristã de que a morada de Deus fique nas alturas.

Já Hades era o Deus e o Senhor do mundo dos mortos, para onde se encaminhariam as almas de todos os que morriam, bons ou ruins, apenas a região onde essa alma habitaria seria diferente de acordo com seu próprio merecimento.

Os maus permaneciam no Tártaro, onde suas almas passariam por terrores e castigos horríveis, e os bons eram encaminhados para os Campos Elíseos, onde receberiam a paz eterna.

O diabo cristão
Hades, portanto, enquanto senhor do Mundo dos Mortos, e este localizando-se nas profundezas da terra, pode muito bem ser sincretizado com o Diabo do cristianismo.

Como, então, poderia a imaginação popular dos antigos cristãos conceber que os justos também iriam para as profundezas da terra, se esta seria a morada do demônio e um lugar de expiação?

JARDIM DO EDEN

Muito mais natural acreditar que os “bem-aventurados” fossem recebidos na morada de Deus, ou seja, nas alturas, surgindo assim a idéia de Paraíso [segundo a tradição popoluar, pois o Paraíso original seria o Jardim do Eden, que existiu no começo dos tempos e que foi a morada de Adão e Eva].

Na literatura judaica a palavra tártaro é mencionada uma vez somente, no livro de Enoch, em uma passagem que diz que Uriel é o carcereiro de 200 anjos que pecaram.
Na lietratura judaica, livro de Enoque, o Arcanjo 
Uriel é o carcereiro dos duzentos anjos que 
pecaram e por isso foram lançados ao Tártaro.


No Novo Testamento o substantivo tártaro não é utilizado nenhuma vez, mas em II Pedro 2: 4 aparece o verbo tartaroo (ταρταρόω), cuja tradução seria lançar para o tártaro, e que é uma forma abreviada do verbo grego clássico kata-tartaroo ("jogar para baixo para o tártaro").

Nas traduções ao redor do mundo, porém, este verbo foi normalmente traduzido como lançar ou jogar ao inferno, quando a tradução correta seria ao tártaro, e não ao inferno.

TÁRTARO OU TÁRTARUS



O Tártaro - região do submundo para  onde vão 
as almas dos que merecem ser castigados e 
não tem direito a paz eterna. Ali os condenados 
passam por expiações inimagináveis, castigos 
terríveis, dores, trevas e danações.
Na mitologia grega clássica, abaixo de Urano (céu), Gaia (terra) e Pontus (mar) encontra-se Tártaro, ou Tártarus (do grego Τάρταρος, lugar profundo).

Trata-se de um lugar sombrio, um poço ou um abismo usado como uma masmorra de tormento e sofrimento e que se localiza no submundo, ou seja, nas profundezas da terra.

No Górgias, Platão (c. 400 A.C.) escreveu que almas foram julgadas depois da morte e as que mereciam punição foram enviadas ao Tártaro.

Mas a palavra não se refere somente a um lugar, mas também ao deus que deu origem a ele.

Tártarus, um dos filhos de Khaos, teria 
sido a terceira força a emanar do vazio que 
existiu antesde todas as coisas, portanto, 
é um dos deuses primordiais e existiu 
antes que surgisse a luz e os cosmos.
Tártarus é uma das primeiras criaturas a existir, a emergir do vazio para a existência.

Normalmente aceito como um dos filhos de Khaos, o primeiro de todos os deuses, portanto, da primeira geração dos deuses, o que faz dele um dos deuses primordiais.

Ele existiu antes que surgissem a luz e os Cosmos.

Para o poeta Hesíodo, Tártarus foi a terceira força a emanar do vazio que existiu antes de todas as coisas, logo após o próprio Khaos e Nix, a noite, e imediatamente antes de Gaia, a Terra.

O Tártaro, para os gregos antigos, corresponde ao lugar que o cristianismo chamaria de inferno.

Para lá vão as almas dos que merecem ser castigados e não tem direito a paz eterna.

Os Campos Elíseos é uma outra região do Hades, para lá são
encaminhadas as almas que merecem a paz e o descanso eterno;
Lá elas praticam esportes, jogos, etc. É a merecida paz 
e felicidade eterna dos justos e bem aventurados.
Na antiguidade mais remota, acreditava-se que o Tártaro ficava ainda mais distante e abaixo do Hades, o mundo dos mortos, governado pelo deus Hades (ou Plutão para os romanos), de cujo nome originou-se também o nome do lugar.

Já numa menos antiga concepção, Tártaro é uma das regiões do Hades, que se dividiria em 3 sítios distintos: o Érebus, o Tártaro e os Campos Elíseos.

O Érebus seria a primeira região onde chegariam as almas após a morte.

Ali, à beira do Rio Aqueronte, essas almas ficariam esperando pela barca de Caronte, que os faria atravessar para o outro lado do rio, chegando, então, ao Tártaro.
Caronte e sua barca

Ali no Tártaro essas almas receberiam seu julgamento, os justos e valorosos eram conduzidos aos Campos Elíseos, onde seriam agraciados com a paz eterna e uma “existência” tranqüila na morte.

Os que não eram dignos de serem conduzidos aos Campos Elíseos, deveriam permanecer no Tártaro, que é o lugar das expiações eternas, castigos terríveis, dor, trevas e danações.

Uma muralha separaria a região do Tártaro dos Campos Elíseos, e nos portões dessa muralha Cérberus [ou Cérbero], um enorme cão de três cabeças, monta guarda para impedir que os condenados tentem fugir do Tártaro e chegar aos Campos Elíseos.


É para o Tártaro que os deuses enviam aqueles que se opõe a eles, os que lhes ofenderam e os que cometeram em vida atrocidades, crimes abomináveis e injustiças.

Cérberus - o cão de três cabeças
No Tártaro encontram-se os Titãs, para ali lançados depois que Zeus e seus aliados os derrotaram, assim como os Hecatônquiros, gigantes que cem braços que foram incubidos de montar guarda no Tártaro parra impedir a fuga dos condenados, embora a verdadeira intenção de Zeus ao enviá-los para lá era mantê-los afastados, pois temia sua força caso viessem a conspirar contra ele, o que de fato acabou por acontecer.

Kronos, pai de Zeus, também foi precipitado ao Tártaro quando seu filho o derrotou.

Íxion, um dos mais célebres "moradores" do Tártaro.
Tifão [ou Tífon] , filho de Tártarus e de Gaia, também se opôs a Zeus e como castigo foi igualmente lançado ao Tártaro.

Até mesmo o deus Apolo, que a julgar pelas lendas parece ser um dos filhos preferidos de Zeus, também já passou um tempo aprisionado no Tártaro, mas seu pai acabou por libertá-lo.

São inúmeras as lendas e os criminosos que fizeram por merecer o castigo eterno no Tártaro, entre estes os mais célebres são: Rei Sísifo; Rei Tantalus; Íxion, O rei dos lápitas; as Danaides, que foram condeadas pelos assassinatos de seus maridos; o gigante Tityos [ou Tício], o Rei Salmoneus.

De Acordo com o filósofo Platão, são 3 os incubidos de julgar e determinar a punição das almas recém chegadas ao Tártaro: Radamanto, Éaco [ou Aeacus] e Minos.

ÉACO, MINOS E RADAMANTO

Radamanto é responsável por julgar as almas dos asiáticos, Éaco julga os europeus e a Minos cabe julgar as almas dos gregos e de dar a palavra final e decisiva em todos os casos em que haja qualquer discordância entre os outros julgadores.


O TÁRTARO SEGUNDO A CONCEPÇÃO DOS ANTIGOS ROMANOS


Almas aprisonadas no tártaro sendo torturadas por seus crimes.

As mitologias grega e romana ficaram tão intrinsecamente ligadas depois que Roma derrotou e dominou a Grécia, que é praticamente impossível separá-las e determinar qual mito é de origem grega e qual é de origem romana.

Mas é fato aceito que a maioria dessas lendas e mitos são de origem grega, pois embora militarmente sob o domínio de Roma, culturalmente a Grécia superou seu dominador e o suplantou, Roma praticamente perdeu sua identidade e assimilou a cultura grega.

O Tártaro e seu cortejo de alma condenadas

Os mitos e deuses romanos mantiveram seus nomes, mas as lendas e histórias originais praticamente foram esquecidas e quase que inteiramente substituídas pelas lendas e histórias gregas.

Mesclaram-se as duas, porém prevalecendo mais a grega.

A concepção romana do Tártaro, portanto, é a mesma dos gregos, um lugar de expiações e castigos para aqueles que já morreram, mas existem algumas pequenas diferenças no que diz respeito a descrição do lugar.

TISÍFONE
O poeta Virgílio descreve o Tártaro como um lugar gigantesco, rodeado por um rio de chamas chamado Flegetonte e por paredes triplas para impedir que os pecadores possam fugir.

O lugar é guardado por uma hidra de cinqüenta maxilares, que está sempre de vigília a um portão protegido por sólidas colunas de adamantino, uma substância parecida com diamante, só que tão dura que se torna indestrutível.

Dentro, há um castelo com paredes amplas e uma torre de ferro muito alta.

No alto desta torre Tisífone está eternamente montando guarda, sempre armada de um chicote e sem jamais dormir.

Ela é uma das três Fúrias da mitologia romana: Tisífone (Castigo), Megera (Rancor) e Alecto (Interminável), que correspondem às Erínias para os gregos.

As 3 Fúrias ou erínias: Tisífone, Megera e Alecto
São as entidades responsáveis pelos castigos e punições, personificações da vingança, assim como a deusa Nêmesis, que punia os deuses, enquanto as Fúrias ou Erínias eram encarregadas de punir os mortais.

Elas nasceram das gotas do sangue que caíram sobre Gaia quando o Urano foi castrado por Cronos, mas na versão de Ésquilo, as Erínias são filhas de Nyx, a noite

Eram pavorosas, 
possuíam asas de morcego 
e cabelo de serpente.

Tisífone 
é a vingadora 
dos assassinatos 
(patricídio, fratricídio, 
homicídio, etc.). 

Ela é a Erínia 
que açoita os culpados 
até enlouquecê-los.

sábado, 25 de junho de 2011

MITOLOGIA EGÍPCIA: OS NETERU DA VIDA

GEB
Geb e Nut deram origem aos quatro neteru da vida: 
Osíris, Ísis, Seth e Néftis. 

Osíris criou 
NUT
a vida no além e todo o processo de jornada até o céu. 
Ísis é responsável por todos os seres vivos. 

OSÍRIS
Seth representa os opostos, mas também coisas más, como ódio e caos. 

ÍSIS
Néftis representa o deserto, a orientação, e o ato de morte.


A história desses quatro neteru é a origem do próximo a ser gerado. Lembrando que as próximas histórias são semelhantes aos humanos porque esses neteru eram de espécies bem próximas aos humanos.


SETH
Existem milhares de versões, no geral a história é a seguinte: Osíris era o neter que criou o ciclo de vida e morte, por isso governava a terra. 
NÉFTIS
Seth, movido a inveja, resolveu armar uma forma de matá-lo. Então, de forma incerta, provavelmente mostrando outra intenção, o trancafiou em um caixão e jogou no Nilo para se perder e ninguém nunca achar. Néftis percebeu isso e avisou Ísis, quando começaram, então, a procurar e encontraram o caixão, recuperarando Osíris.


ÍSIS E OSÍRIS
Seth, como era uma forma do mal, esquartejou a forma material de Osíris em 40 pedaços e espalhou-os por todo o deserto e no Nilo. Ísis, depois de muito tempo, conseguiu encontrar todos eles, exceto o pênis, que foi devorado por três peixes.


ÍSIS E HORUS
Então, Osíris uniu-se a Ísis e gerou um filho. 
Essa foi a primeira idéia de "imaculada concepção" de que se tem notícia, ela ficou conhecida com "Virgem Ísis". O filho era Hórus, o herdeiro que então lutou contra Seth, perdendo um olho na batalha, mas conseguindo vencê-lo. 

OLHO DE HÓRUS
HÓRUS
Esse olho ficou conhecido como "Olho de Hórus", que foi reconhecido como símbolo de proteção pelos egípcios.


Hórus também era conhecido como o "salvador da humanidade". Depois disso, Seth se tornou um neter menor.