MITOLOGIAS MUNDIAIS E CONCEITOS

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

ESÚ, ESHU OU EXU

ESHU [ORIXÁ]
O MITO DE ESÚ É BASTANTE COMPLEXO E É GRANDE A DIVERSIDADE DE ORIGENS, LENDAS E SINCRETISMOS.


A PRINCÍPIO PODEMOS ESTABELECER QUE A PALAVRA EXU SE REFERE A MITOS DIFERENTES, MAS QUE APRESENTAM MUITAS SIMILARIDADES.

BASICAMENTE, PARA TENTAR SIMPLIFICAR, HÁ DOIS DIFERENTES TIPOS DE EXU. UM SERIA O EXU ORIXÁ, QUE ESTÁ INTRINSICAMENTE LIGADO A ORIGEM DA VIDA, MAS HÁ TAMBÉM UMA INFINIDADE DE ENTIDADES QUE SE CLASSIFICAM COMO EXUS, QUE SERIAM ESPÍRITOS DESENCARNADOS QUE INCORPORAM NOS MÉDIUNS COM DIFERENTES NOMES.
EXU [CATIÇO]
ESTES SÃO ESPÍRITOS DE PESSOAS QUE NASCERAM, VIVERAM E MORRERAM, E, PARA DIFERENCIAR DO OUTRO EXU, O ORIXÁ, SÃO CHAMADOS DE EXUS CATIÇOS [ESCRAVOS], POIS CADA UM DELES TRABALHA COMO ESCRAVO OU MENSAGEIRO DE UM DETERMINADO ORIXÁ.

AQUI VAMOS TRATAR DE FALAR SOBRE O ORISHÁ ESHU, E DOS EXUS CATIÇOS TRATAREMOS EM OUTRA OCASIÃO.

NOS MITOS MAIS ANTIGOS ESÚ, ESHU OU EXU FOI O TERCEIRO SER CRIADO POR OLURUN, DEPOIS DE OBATALÁ E DE ODUDUA.

OBATALÁ TEM O DOMÍNIO SOBRE A COR BRANCA, ODUDUA SOBRE O PRETO E ESHU SOBRE AMBAS AS CORES E AINDA O VERMELHO, COR DO SANGUE E, PORTANTO, DA VIDA.

POR ESTAR PRESENTE DESDE LOGO APÓS A CRIAÇÃO DO UNIVERSO E ANTES DA CRIAÇÃO DA VIDA, É UM DOS MAIS ANTIGOS ORIXÁS, MELHOR AMIGO DE OBATALÁ, QUE POR ELE TEM GRANDE ESTIMA.

CRIAÇÃO DO MUNDO
A FORÇA MAIOR DO UNIVERSO É OLURUN [OU OLUDOMARÊ], CRIADOR DO PRÓPRIO UNIVERSO. OLORUN BIPARTIU-SE E ASSIM SURGIU ODUDUA, SUA IGUAL, E DEPOIS GEROU A PARTIR DE SI MESMO OBATALÁ, SEU FILHO. OLURUN DELEGOU A OBATALÁ O PODER DE GERAR A VIDA.
OBATALÁ, ENTÃO, É A FORÇA MASCULINA DA CRIAÇÃO, ODUDUA É A FORÇA FEMININA, E ESHU A FORÇA MOTRIZ CAPAZ DE POSSIBILITAR E TRAZER A EFEITO ESSA CRIAÇÃO.

EXU, PORTANTO, REPRESENTA O MOVIMENTO, A CONCRETIZAÇÃO, O ATO, E SEM SUA INTERFERÊNCIA NADA CHEGA A VIAS DE FATO.
ELE NAO TRAZ EM SI A FORÇA DA CRIAÇÃO, PARA QUE ISSO ACONTEÇA NÃO BASTA A SUA VONTADE, MAS ELE É A FORÇA EM MOVIMENTO QUE A TORNA POSSÍVEL, POR ISSO É TÃO COMUM OUVIR-SE QUE "SEM EXU NÃO SE FAZ NADA".

NÃO CABE A EXU DECIDIR NEM DETERMINAR, A ELE CABE SOMENTE A AÇÃO PARA QUE TUDO SE REALIZE, PORÉM EM CONFORMIDADE E APENAS COMO COMPLEMENTAÇÃO DE UMA FORÇA MAIOR.

COMO EXU É A FORÇA QUE TUDO REALIZA E ASSIM FOI DESDE O PRINCÍPO DE TUDO, A MEDIDA QUE NOVOS MITOS VÃO SURGINDO, EXU ESTÁ LIGADO A CADA UM DELES COMO O GRANDE TRABALHADOR QUE TUDO VIABILIZA, REALIZA E CONCRETIZA.

PANTEON DOS ORIXÁS AFRICANOS
OS CINCO ORIXÁS QUE APARECEM EM PRIMEIRO 
PLANO SÃO, DA ESQUERDA PARA A DIREITA:
OSSAIN, OMULU, OXÓSSI, OGUN E ESHU
OLORUN, OBATALÁ E ODUDUA, DEPOIS DE TUDO CRIAREM, TORNAM-SE ONIPRESENTES, PORÉM DISTANTES DO HOMEM, MUITO ACIMA DE TUDO E DE TODOS, INALCANÇÁVEIS, JÁ OS OUTROS ORIXÁS, CADA UM DELES LIGADO A UM ASPECTO DA NATUREZA E DA VIDA HUMANA, ESTÃO DIRETAMENTE LIGADOS AOS HOMENS E ATUAM SOBRE SUAS VIDAS.

DEVIDO A SUA PRÓPRIA NATUREZA EXU, AO CONTRÁRIO DAQUELES QUE O ANTECEDERAM, NÃO PERMANECE DISTANTE  E INALCANSÁVEL, PORÉM RESSURGE E RENASCE ENTRE OS ORIXÁS COMO O FILHO MAIS VELHO DE YEMANJÁ, O PRIMEIRO A NASCER.

É NATURAL QUE ELE VIESSE [NASCESSE] PRIMEIRO, POIS SEM SUA "NATUREZA REALIZADORA" TUDO E TODOS FICARIAM ESTAGNADOS, E POR ISSO MESMO ELE ESTÁ LIGADO A CADA UM DOS ORIXÁS QUE REINAM SOBRE OS DIFERENTES ASPECTOS DA NATUREZA, COMO A FORÇA DO "MOVIMENTO" E DA "AÇÃO" QUE TORNA TUDO POSSÍVEL. COM ESTE INTUÍTO ELE FOI CRIADO, PARA REALIZAR, VIABILIZAR, CONCRETIZAR.

É EXU QUE FAZ CUMPRIR-SE OS DESÍGNIOS DOS ORIXÁS, POIS SÓ A SUA AÇÃO É CAPAZ DE TORNAR TUDO POSSÍVEL, MAS ELE NÃO É MERAMENTE UM ESCRAVO, MAS ANTES UM COLABORADOR DE NATUREZA LABORIOSA E INCANSÁVEL.

EXU NO SINCRETISMO
NO SINCRETISMO COM A IGREJA CATÓLICA COUBE A EXU UNIR-SE A IMAGEM DO DIABO CRISTÃO, MAS NA REALIDADE AS RELIGIÕES DE ORIGEM AFRICANA NÃO POSSUEM UMA ENTIDADE EXCLUSIVAMENTE MÁ E PERVERSA, NA REALIDADE TODOS OS ORIXÁS TEM SEUS ASPECTOS POSITIVOS E NEGATIVOS. A SEPARAÇÃO DO BEM E DO MAL E A IDÉIA DE UM SER QUE SEJA A PRÓPRIA BONDADE E OUTRO QUE SEJA A MAIS PURA MANIFESTAÇÃO DE TUDO O QUE É RUIM COMEÇARAM A SURGIR MAIS OU MENOS NA ÉPOCA DO ZOROATRISMO E SE SOLIDIFICARAM COM O CRISTIANISMO. TODOS OS POVOS DA MAIS REMOTA ANTIGUIDADE E TODAS AS RELIGIÕES GENUINAMENTE ANTIGAS NÃO PROPAGAVAM ESSES MITOS, ESSE PENSAMENTO É RELATIVAMENTE RECENTE SE COMPARADOS AOS MILHARES DE ANOS QUE ANTECEDEM O CRISTIANISMO.

ASSIM COMO CADA ORIXÁ, EXU TEM SUAS PRÓPRIAS CARACTERÍSTICAS, QUALIDADES E PARTICULARIDADES, E POR SUA NATUREZA SER A QUE MAIS SE ASSEMELHA A NATUREZA DO PRÓPRIO HOMEM, PORTANTO SUJEITA A VÁRIAS "IMPERFEIÇÕES", EXU NÃO SE APROXIMAVA DO IDEAL DE NENHUM DOS SANTOS CRISTÃOS, RESTANDO-LHE SOMENTE SER SINCRETIZADO COM O DEMÔNIO.

EXU É IRRIQUIETO, IRREVERENTE, INSCONSTANTE, BRINCALHÃO, E APESAR DE UM TRABALHADOR INCANSÁVEL, TAMBÉM AMA OS PRAZERES E É SUSCETÍVEL AOS VÍCIOS.

NÃO FALTAM LENDAS QUE CONTAM O QUANTO EXU GOSTAVA DE "APRONTAR" COM TODOS OS OUTROS ORIXÁS, DAS PEÇAS QUE PREGAVA EM TODOS ELES E DAS CONFUSÕES QUE AS VEZES SEU TEMPERAMENTO TURBULENTO CAUSAVA.

TRONQUEIRA OU CAFUA: QUARTO ONDE SE CULTUA EXU
MUITAS VEZES EXU CRIOU TANTO TUMULTO QUE ACABOU SE TORNANDO UM CONVIDADO INDESEJÁVEL, E POR ISSO FOI PROÍBIDO DE ENTRAR NO INTERIOR DAS CASAS, PERMANECENDO SEMPRE DO LADO DE FORA, E POR ISSO ATÉ HOJE ELE É CULTUADO EM "QUARTOS" SEPARADOS, ISOLADOS E INDEPENDENTES DO RESTANTE DA CASA.

EXU É SEMPRE PLANTADO AO LADO DOS PORTÕES, E SUA PRINCIPAL OBRIGAÇÃO É TOMAR CONTA DA ENTRADA, VIGIANDO QUEM ENTRA E QUEM SAI.

COMO A EXU FOI DADO O DESIGNIO DE GRANDE TRABALHADOR, ELE APENAS CUMPRE O DESIGNIO DOS DEMAIS ORIXÁS OU ATENDE AOS PEDIDOS DE QUEM ROGA POR ELE, SEM DISCERNIR ENTRE O BEM E MAL, O CERTO E O ERRADO, POIS A ELE NÃO FOI DADO O DOM DE JULGAR NEM DECIDIR, APENAS O DE "CUMPRIR". 

ELE É CONHECIDO PELOS NOMES DE ESU, ESHU, BARA, IBARABO, LEGBÁ, ELEGBARA, ELEGGUA, AKÉSAN, IGÈLÚ, YANGI, ÒNAN, LÁILLÚ, IJÈLÚ. ALGUMAS DAS CIDADES AFRICANAS ONDE ELE ERA CULTUADO SÃO ONDO, ILESA, IJEBU, ABEOKUTA, EKITI, LAGOS.

A PALAVRA ÈSÙ EM YORUBÁ SIGNIFICA ESFERA. EXÚ É O ORIXÁ DA COMUNICAÇÃO, POIS ELE É O MENSAGEIRO ENTRE O MUNDO MATERIAL E O ESPIRITUAL.
É TAMBÉM O ORIXÁ DO MOVIMENTO, DA AÇÃO, O GUARDIÃO DAS ALDEIAS, DAS CIDADES E DAS CASAS.

ELE É SEMPRE O PRIMEIRO A RECEBER TODAS AS OFERENDAS, POR UIM LADO PARA QUE ELE NÃO VENHA ATRAPALHAR COM SUAS "BRINCADEIRAS" O BOM ANDAMENTO DE TODOS OS TRABALHOS, MAS TAMBÉM PARA GARANTIR O BOM ÊXITO DELES TOMANDO CONTA DAS ENTRADAS E IMPEDINDO QUE FORÇAS NEGATIVAS PENETREM.

 POR ESTAR MAIS PRÓXIMO AO HOMEM E DIVIDIR COM ELE NAO SÓ SUAS QUALIDADES MAS TAMBÉM SUAS FRAQUEZAS, EXU CARREGA UMA GRANDE ENERGIA SEXUAL E É REPRESENTADO, PRINCIPALMENTE NA ÁFRICA, PELA ESCULTURA DE UM FALO ERETO, SIMBOLIZANDO A FERTILIDADE.

POR ESSE MOTIVO, PARA OS RELIGIOSOS CRISTÃOS DA MODERNIDADE, EXU ESTÁ INTIMAMENTE LIGADO A INDECÊNCIA E A IMORALIDADE, DAÍ SEU SINCRETISMO COM O DIABO CRISTÃO, MAS NA VERDADE EXU É APENAS ASTUCIOSO E SENSUAL, E DEVIDO A SUA PERSONALIDADE IRREVERENTE, MUITAS VEZES É PROVOCADOR TAMBÉM, POIS PODE AGIR DE FORMA IRASCÍVEL AS VEZES, PROVOCANDO BRIGAS, DISPUTAS E CALAMIDADES, POR ISSO ENTRE TODOS OS ORIXÁS ELE É CONSIDERADO O MAIS PARECIDO E O QUE MAIS SE APROXIMA DA CONDUTA DOS HOMENS, CONTUDO, QUANDO BEM TRATADO, ELE SE TORNA UMA FORÇA EXTREMAMENTE POSITIVA.
 
NA NIGERIA CONTA-SE UMA LENDA EM QUE EXU TERIA SIDO UM DOS COMPANHEIROS DE ODUDUA QUANDO DE SUA CHEGADA A IFÉ, E CHAMAVA-SE, ENTÃO, NESSA ÉPOCA, ÈSÚ OBASIN. MAIS TARDE TORNOU-SE UM DOS ASSISTENTES DE ORUNMILÁ E POR ALGUM TEMPO, AS CUSTAS DE ARTIMANHAS E ESPERTEZAS, TORNOU-SE REI DE KETU SOB O NOME DE ÈSÙ ALÁKÉTÚ.

A PALAVRA ELEGBARA, UM DOS NOMES PELO QUAL EXU É CONHECIDO, SIGNIFICA "AQUELE QUE É POSSUIDOR DO PODER [AGBARÁ]. UM DOS CARGOS DE EXU NA NIGÉRIA, MAIS PRESISAMENTE NA CIDADE DE OYÓ, É O DE ÈSÙ ÀKERÓ OU ÀKESÁN, QUE SIGNIFICA "CHEFE DE UMA MISSÃO", E ESSE CARGO TINHA COMO OBJETIVO SUPERVISIONAR AS ATIVIDADES DO MERCADO DO REI.

QUANTO AS SUAS OFERENDAS, EXU ACEITA PRATICAMENTE QUASE TUDO O QUE SE LHE OFERECE, PRATICAMENTE TODOS OS TIPOS DE CARNE, COMIDAS E BEBIDAS, MAS DA FORMA COMO ELE É CULTUADO ATUALMENTE NO BRASIL, ACREDITA-SE QUE SUAS PREFERÊNCIAS SEJAM A CARNE DE BODE, FAROFA CRUA DE DENDÊ E CACHAÇA.

OS YORUBÁS CULTUAVAM EXU EM UM PEDAÇLO DE PEDRA POROSA CHAMADA YANGI, OU FAZIAM UM MONTÍCULO ESCULPIDO GROTESCAMENTE NA FORMA HUMANA [UMA ESPÉCIE DE CARRANCA]  COM OLHOS, NARIZ E BOCA FEITOS DE BÚZIOS, OU AINDA DE UMA ESTATUETA ENFEITADA COM FILEIRAS DE BÚZIOS TENDO EM SUAS MÃOS CABAÇAS ONDE ELE CARREGA PÓS DOS ELEMENTAIS DA TERRA QUE ELE USA EM SEUS TRABALHOS.

EXU É O MAIS SUTIL E ASTUTO DE TODOS OS ORIXÁS, E QUANDO SE ESTÁ EM FALTA COM ELE, PODE CAUSAR MAL-ENTENDIDOS E DISCUSSÕES OU PREPARAR INÚMERAS ARMADILHAS.

DIZ-SE QUE EXU É TÃO ASTUTO QUE É CAPAZ DE CARREGAR ÓLEO EM UM PENEIRA SEM QUE ELE SE DERRAME.

MAS AO CONTRÁRIO DO QUE SE POSSA PENSAR, ELE NÃO TEM UMA NATUREZA PERVERSA, É APENAS IRREVERENTE, ARDILOSO, VAIDOSO E BRINCALHÃO, ADORA PREGAR PEÇAS, FAZER ARTIMANHAS E CONSEGUE TRANSFORMAR O ERRO EM ACERTO E O ACERTO EM ERRO, MAS ESTÁ SEMPRE PRONTO A AUXILIAR QUEM CHAMA POR ELE, É MUITO CULTO E PROFUNDO DONHECEDOR DA NATUREZA HUMANA, UMA VEZ QUE MUITO SE ASSEMELHA AO HOMEM.
SEUS ASSENTAMENTOS POSSUEM ELEMENTOS LIGADOS ÀS SUAS ATIVIDADES COMO POR EXEMPLO A TERRA, PÓ OU POEIRA DOS LUGARES ONDE ELE ATUA.

OFERENDA A ESHU
EXU É SEMPRE O PRIMEIRO A RECEBER OFERENDAS, CANTIGAS E REZAS, SENDO SEMPRE O PRIMEIRO A SER SAUDADO ANTES DE QUALQUER CERIMÔNIA OU EVENTO.

ASSIM COMO OS OUTROS ORIXAS, HÁ DIVERSA QUALIDADES DE EXU, OS MAIS CONHECIDOS SÃO ELEGBÁ OU ELEGBARÁ, BARÁ, ALAKETU [MAIS CONHECIDO COMO BARAKETU - O GUARDIÃO DAS PORTEIRAS], AGBÔ, ODARA, AKESSAN OU BARAKESSAN, LALÚ, IJELÚ [AQUELE QUE REGE O NASCIMENTO E CRESCIMENTO DE TUDO O QUE EXISTE], IBARABO, YANGI, LONAN OU BARALONAN [GUARDIÃO DOS CAMINHOS], INÁ.

SUAS CORES E CONTASS SÃO O PRETO E O VERMELHO E O DIA DA SEMANA DESTINADO AO SEU CULTO É  A SEGUNDA-FEIRA. SUA FERRAMENTA É O OGÓ, UMA ESPÉCIE DE BASTÃO ENFEITADO COM CABAÇAS QUE REPRESENTA UM FALO.

SUA SAUDAÇAO É "LARÔYE", QUE SIGNIFICA BEM FALANTE E COMUNICADOR.

 NA NAÇÃO DE ANGOLA EXU RECEBE O NOME DE ALUVAIÁ, PAMBU NJILA, E LEGBÁ, NA NAÇAO DE JEJÊ. 

ASSIM COMO OS OUTROS ORIXÁS, EXU TAMBÉM PODE TER "FILHOS" [NAS RELIGIÕES E CULTOS DE ORIGEM AFRICANA, CADA INDIVÍDUO NASCE SOB A PROTEÇÃO ESPECÍFICA DE UM ORIXÁ, AO QUAL ELE CONSAGRADO COMO SEU FILHO, MAIS COMUMENTE SÃO DOIS ORIXÁS QUE REGEM A "CABEÇA DE UM FILHO", UM PAI E UMA MÃE OU VICE-VERSA], MAS É UM POUCO RARO VER-SE FILHOS DE EXU. ELES SÃO NORMALMENTE SENSUAIS, DOMINADORES E MUITO INTELIGENTES, GOSTAM DE LEVAR A VIDA CERCADOS POR MUITA GENTE, FESTAS, BARULHOS E ROMANCES, SÃO MUITO IMPULSIVOS E DIFICILMENTE SE PRENDEM A ALGUÉM, MAS QUANDO AMAM SÃO CAPAZES DE DAR A PRÓPRIA VIDA. GOSTAM DE AJUDAR A TODOS E SÃO MUITO TRABALHADORES, MAS QUANDO OFENDIDOS PODEM SE TORNAR VINGATIVOS E EXTREMAMENTE CRUÉIS.

EMBORA SEJA NO BRASIL ONDE PROVAVELMENTE MAIS SE ENRAIZARAM AS RELIGIÕES DE ORIGEM AFRICANA, AO REDOR DO MUNDO ELAS OCOREM TAMBÉM.
EM CUBA EXU É CHAMADO DE ELEGUA OU ELEGGUA E FOI SINCRETIZADO, NA SANTERIA, COM O SANTO NIÑO DE ATOCHA OU COM SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA. ELE É O PORTEIRO DE TODOS OS CAMINHOS, DA MONTANHA E DA SAVANA, É O PRIMEIRO DOS 4 GUERREIROS, JUNTO A OGGUN, OSUN E OSHOSI.

NO VODOO HAITIANO É CHAMADO DE PAPA LEGBA E LEGBÁ PETRÓ, MAITRE CARREFOUR [DONO DA ENCRUZILHADA].

NA REPÚBLICA DOMINICANA É CULTUADO COMO VODUN LEGBA, E EM TRINIDAD E TOBAGO COMO ESHU.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

PRINCIPAIS PERSONAGENS DA MITOLOGIA PERSA

Ahura Mazda versus Ahrimã
O mito mais importante da religião persa é o da disputa entre Ahura Mazda e Ahrimã que consiste na luta de dois tipos de seres divinos. Esta luta nos aparece sob uma dupla forma: a material e a espiritual.

No caso da luta material, Ahrimã quer invadir o céu, mas é repelido para o inferno; na luta espiritual ou mística, Ahrimã, princípio da obscuridade, da desordem, do mal, é repelido por Ormuzd, deus da luz, da ordem e do bem.

No primeiro caso, a arma de Ormuzd é Atar, o relâmpago; no segundo caso, a piedade ou a oração, personificada sob o nome Vohu Mano.

ROSTAM MATANDO UM DRAGÃO
A personagem mais importante nos épicos persas é Rostam. Sua contraparte é Zahhak, um símbolo do despotismo que foi finalmente derrotado por Kaveh que liderou um levante popular contra ele.

Zahhak
Zahhak era protegido por duas serpentes que cresciam de seus ombros e não importava quantas vezes elas fossem decapitadas suas cabeças cresciam novamente para protegê-lo.
 A serpente, como em muitas outras mitologias orientais, representava o mal, mas aparecem muitos outros animais na mitologia persa; os pássaros, em especial, eram sinal de boa sorte. Os mais famosos deles são Simorgh, um grande pássaro bonito e poderoso, Homa, o pássaro real da vitória cujas plumas adornavam as coroas e Samandar, a fênix.


 Peri (avéstico: Pairika), considerada uma mulher bonita, porém má na mitologia mais antiga, tornou-se gradualmente menos má e mais bonita até transformar-se em um símbolo de beleza no período islâmico similar aos houri — espécie de anjos — do Paraíso.
Entretanto uma outra mulher má, Patiareh, atualmente simboliza a prostituição.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

MITOLOGIA NÓRDICA: OS PRIMEIROS DEUSES E A CRIAÇÃO DA RAÇA HUMANA

YMIR
O SER priomordial da mitologia Nórdica é Ymir, ele foi o primeiro ser vivo, foi criado a partir do gelo mágico de Ginungagap. 

Ginungagap no princípio era o grande vazio que existia antes de tudo, ficava no meio de dois mundo : Niflheim (o mundo das névoas) e Musphelheim (o mundo do fogo). Como Ginungagap ficava entre esses dois mundos, era justamente ali onde a névoa e o fogo se tocavam, e dessa união surgiu primeiro o gelo. 
YMIR E AUDUMBLA
Como o fogo de Musphelheim era muito forte, o gelo as vezes derretia, e como o gelo era mágico acabou formando Ymir o gigante primordial, que dormiu por varias eras, e enquanto Ymir dormia, de seu suor surgia outros gigantes, Trolls, duendes e demônios.


Buro - o primeiro Deus nórdico
Depois de Ymir outro ser surgiu do gelo, era Audumbla, a vaca gigante que com seu leite alimentava Ymir. 

Audumbla uma vez lambeu o gelo mágico e da lambida surgiu Buro, considerado como o primeiro dos deuses a surgir. 

Ymir, portanto, foi a primeira criatura a surgir, mas não é considerado um deus, apenas o primeiro ser vivo. É Buro quem ocupa o lugar de primeiro Deus, o primeiro a surgir. Ele criou o segundo Deus: Borr. 

Muitos consideram Borr, e não Buro,  como o primeiro dos deuses, mas essa confusão se deve ao fato de que na mitologia nórdica havia 3 diferentes categorias ou tipos de deuses: os ÆSIR, os VANIR e os JOTUN.

Os  ÆSIR eram os deuses mais importantes, são os que moran em Asgard, eram deuses de primeira grandeza. Os VANIR, embora muitos deles não fossem menos poderosos, eram vistos como deuses de segundo escalão, de menor importância, pois não habitavam ASGARD e sim outras regiões como campos, florestas, mares, rios, etc. Em sua maioria eram deuses agrestes, mas entre eles incluiam-se tambémm os deuses "estrangeiros", que eram divindades muito provavelmente oriundas de outras mitologias ao redor do velho mundo, porém adotadas ou assimiladas pelos nórdicos. Os jotun eram a raça dos gigantes.


BORR
Buro, embora fosse o primeiro deus a surgir, pertencia a raça dos Jotun, mas seu filho Borr, foi o primeiro deus da raça dos ÆSIR.

A palavra Buro, em alemão, significa "neutro", esse significado vem provavelmente do fato de que os ÆSIR e os VANIR viviam constantemente em guerra entre si, enquanto que os Jotun, dos quais Buro fazia parte, procuravam se manter neutros, embora algumas vezes fossem obrigados em determinado momento a tomar o partido de um ou de outro lado.


BORR E BESTLA - PAIS DE ODIN
Borr se casou com Bestla, filha do gigante Bölthorn, que era provavelmente um dos gigantes surgidos do suor de Ymir, pois não são conhecido nem jamais foram citados os seus pais.

Bestla era irmã de Mímir, outro filho de Bölthorn. 

ODIN CONSULTANDO A CABEÇA DE MÍMIR
Mímir é conhecido como o mais sábio dos deuses nórdicos. Obteve todo o seu conhecimento ao beber do poço da Grande Sabedoria nas raízes de YGGDRASIL, a árvore da vida. Mimir concedeu a Odin um gole de sabedoria de uma das fontes em que a raiz de yggdrasil mergulhava em troca de seu olho.Teve sua cabeça decepada durante uma das eternas batalhas entre os ÆSIr e VANIR, mas ODIN manteve sua cabeça viva e a consultava a fim de se tornar onisciente.


BÖLTHORN e seus filhos, BESTLA E MÍMIR, eram todos eles da raça dos Jotun também, assim como Buro, portanto são os Jotun a mais antiga raça de deuses e foram eles os progennitores dos ÆSIr.


ODIN E SEUS IRMÃOS: VÉ E VILI
Buro e Borr, são portanto, antecessores dos deuses de asgard, respectivamente avô e pai de Odin, que juntamente com seus irmãos Vé e Vili, era fruto da união de Borr, o primeiro dos ÆSIR e e de Bestla, uma JOTUN.

Os três irmãos (Odin, Vé e Vili) se uniram para atacar Ymir e o mataram dando origem a um novo mundo chamado Midgard (a terra dos homens), que eles criaram usavdo o corpo de Ymir.

Depois de criada Midgard, tratou-se de habitá-la, e disso incubiu-se Odin que criou o primeiro casal da raça humana: Ask, o primeiro homem, e Embla, que se tornou sua esposa, a primeira mulher, e deles descende toda humanidade . Segunda algumas versões Odin foi auxiliado, ao criar esses primeiros humanos, por Hoenir e Lóðurr, mas segundo outras versões foram seus irmãos Vé e Villi que o ajudaram nessa criação, tendo VILI dado à humanidade os dons da emoção, sentimentos e pensamentos, enquanto VÉ nos presenteou com os dons da fala e da palavra. Segundo alguns estudiosos não seriam duas versões, mas sim apenas nomes diferentes, pois Hoenir pode ser apenas um outro nome de VILI e Lóðurr outro nome de VÉ.


ASK E EMBLA, 
os primeiros seres humanos, 
dos quais decende toda a humanidade 
e que teriam sido driados por ODIN 
que usou uma árvore como matéria prima.
Como todas as lendas muito antigas, em especial as que falam da origem do mundo e da humanidade, há divergências e diferentes versões, e segundo uma dessas versões, Ask e Embla não teriam sido criados por Odin, mas surgiram também a partir do suor de YMIR. É possível, ainda, unir estas duas versões, onde Odin teria sim criado o primeiro casal humano a partir das gotas de suour de YMIR. A versão mais aceita, porém, e mais difundida, é a de que Ask e Embla foram criados por Odin, mas não a partir do sour de Ymir, e sim usando uma árvore como matéria prima.














terça-feira, 18 de setembro de 2012

ÉTER - O AR

Éter (em grego Αἰθήρ, transl. Aithếr, do verbo αἵθω, transl. aíthô, "queimar") era, na mitologia grega, a personificação do conceito de "céu superior", o "céu sem limites" (diferente de Urano).

Era o ar elevado, puro e brilhante, respirado pelos deuses, contrapondo-se ao ar obscuro, ἀήρ (aếr), que os mortais respiravam, sendo deus desconhecido da matéria, em consequência as moléculas de ar que formam o ar e seus derivados.

É considerado por Hesíodo como sendo filho de Érebo e de Nix, tendo por irmã Hemera. Unido a esta, gerou seres não antropomorfizados: Tristeza, Cólera, Mentira, etc.

A lista de Higino atribui-lhe como filhos: Oceano, Témis, Briareu, Giges, Estérope, Atlas, Hiperião, Saturno, Ops, Moneta, Dione e as três Fúrias. Cícero lhe atribui paternidade sobre Júpiter e Celo, ou seja, Urano.

Assim como Érebo, que personifica as trevas superiores, tem como seu correspondente Nix, as trevas superficiais (e, em algumas versões, este aparece como filho daquela), pode ser interpretado que Éter tem seu correspondente em Urano (de quem ora aparece como filho, ora como pai).

Etimologia do nome
Derivado do verbo aítho, "queimar", "fazer brilhar", era usado na Hélade genericamente para "queimado de sol". Desse modo, conforme o contexto, poderia significar tanto "fazer brilhar" quando "tornar-se escuro como fuligem".

Éter estaria entre Urano e o ar. Por personificar o céu superior, considera-se sua camada mais pura que aquela próxima da terra. Entretanto, Éter é luz que queima ao iluminar.

Há uma tensão no verbo do qual deriva. Significa tanto "fazer luzir" quanto "escurecer", conforme o contexto. Em Urano, esta dinâmica específica está ausente.

Junito Brandão faz a aproximação com o sânscrito i-n-ddhé, "ele inflama", édha, "floresta incendiada", e com o latim aedes, "lareira", aestas, "verão, estio", aestus, "ardor", "calor ardente".

Carlo Rusconi relaciona o étimo à origem da palavra Etiópia: ahithou, "arder", remontando a raiz aidh, que em grego seria aith.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Kemetismo

ANKH 
Antigo símbolo egípcio,
adotado atualmente como
símbolo do kemetismo
Kemetismo é uma das diversas religiões "neo-paganistas" da atualidade.

É cada vez mais comum pessoas do mundo inteiro se voltarem para antigas práticas religiosas, anteriores ao cristianismo. O Kemetismo é a religião que resgata o culto aos antigos deuses egípcios.

O Kemetismo tem diferentes vertentes. Uma delas é a religião desenvolvida nos Estados Unidos em 1988 por Tamara Siuda. Esta vertente cultiva as crenças e práticas da antiga religião egípcia adaptadas aos tempos atuais, sendo considerada uma religião revivalista e de matriz africana. Também chamada de Ortodoxia Kemética, a religião cultiva todos os aspectos da religião do Antigo Egito, sendo, portanto, uma religião monólatra, ou seja, acredita-se em vários deuses, porém, que partem de somente uma força divina.

ESTÁTUA DE ISIS
Uma das principais deusas da mitologia egípcia,
nos diasde hoje cultuada pelos Keméticos contemporâneos.
Essa "força divina" é Netjer, sendo os antigos deuses egípcios como Rá, Ísis, Osíris e Anúbis aspectos ou Nomes de Netjer, usando-se os termos plurais Netjeru para os deuses e Netjeret para as deusas.

O Kemetismo se desenvolveu na década de 1970, com a ascensão do neopaganismo nos Estados Unidos. Tamara Siuda, em um ritual de iniciação wiccan recebeu uma visão na qual, alegou ter sido chamado pelos antigos deuses egípcios para reviver sua adoração. Tamara abandonou a wicca para estudar a adoração na antiga religião egípcia com alunos em 1988, nascendo a Ortodoxia Kemética que é a principal e oficialmente reconhecida religião kemética, sendo representada no Parliament of World Religions na Cidade do Cabo, África do Sul em 1999.


Tamara Siuda
Fundadora e principal
líder do kemetismo.
Três grupos keméticos modernos possuem relação histórica com a Ortodoxia Kemética, são eles: Akhet Hwt-Hrw, Per Ankh e Per Heh.

A Ortodoxia Kemética não considera-se uma verdade filosófico-religiosa absoluta, considerando e respeitando todas as outras verdades filosófico-religiosas como igualmente válidas e, como consequência disso, a Ortodoxia Kemética rejeita o proselitismo religioso.

O nome Kemetismo vem de kemet, que significa Terra Negra, sendo a forma de como o Egito era chamado na época dos faraós.

Os cinco pilares da Ortodoxia Kemética
A Ortodoxia Kemética baseia-se em 5 pilares:
• Ma'at: a justiça, a verdade, a ordem e o equilíbrio
• Netjer: a força divina, da qual os Deuses (Netjeru) e Deusas (Netjeret) são aspectos ou Nomes
• Akhu: os ancestrais
• Nisut: o líder espiritual e administrativo
• A Comunidade, praticante da religião.

A Ortodoxia Kemética possui dois tipos de prática: a Prática Estatal, que consiste na realização de rituais e celebrações por sacerdotes específicos, do jeito mais fiel possível aos que os antigos sacerdotes egípcios faziam, e a Prátca Pessoal.

Ritual kemético contemporâneo.
Na Prática Estatal também são celebrados os mesmos festivais formais que eram celebrados na Antiga religião egípcia, tudo sob o controle e orientação dos sacerdotes, e são justamente essas formalidades fieis às formalidades antigas que dão o caráter "ortodoxo" da religião, que conta inclusive com um calendário kemético, sendo a celebração mais importante o Wep Ronpet que é o ano novo kemético, que acontece geralmente entre em Julho e Agosto quando começa a cheia do rio Nilo.

Já a Prática Pessoal, consiste em altares pessoais que os fieis fazem e ali realizam seus rituais diários, orações, adorações espontâneas, etc, além de suas próprias experiências cotidianas com a espiritualidade kemética.

A Ortodoxia Kemética possui uma rígida hierarquia, a saber:

Altar doméstico
• Iniciantes: São aqueles que foram admitidos na classe de iniciantes, onde aprendem tudo sobre a religião e tem seu primeiro contato com a comunidade kemética, sendo ensinados, orientados e auxiliados por sacerdotes. Após o término da classe de iniciantes, a pessoa pode decidir tornar-se um Remetj caso tenha identificado-se com a religião, ou pode recusar caso não tenha identificado-se.

• Remetj: São aqueles que passaram pela classe de iniciantes e decidiram tornar-se membros, porém sem converterem-se totalmente.

• Shemsu: São os Remetj que decidiram comprometer-se totalmente com a Ortodoxia Kemética. Para tanto, previamente passaram pelo RPD (Rito de Divinação Parental) no qual a Nisut descobre quais Nomes de Netjer(Deuses egípcios) são os Pais divinos e Amados divinos da pessoa. Após o RPD, a pessoa decidiu ser um seguidor de seus Deuses pessoais que apareceram em seu RPD, fez juramentos e então participou da Cerimônia de Nomeação na qual seu(s) Pai(s) divino(s) lhe deram um nome espiritual, ou nome de Shemsu. Esse nome espiritual é divinado pela Nisut e é relacionado ao(s) Pai(s) divino(s) da pessoa, que então finalmente é apresentada à comunidade kemética como um novo Shemsu. No entanto, ninguém é obrigado a tornar-se Shemsu; um Remetj pode passar pelo RPD e decidir continuar como Remetj.

No Kemetismo o natal e comemorado
como aniversário de Hórus, nascido nesta
data de uma virgem, Isis, 3 mil anos
antes do cristianismo se apropriar desta
data e atribuí-la a Jesus Cristo.
• Shemsu-Ankh: São todos os Shemsu que decidiram dedicar boa parte de seu tempo à comunidade da religião, passando por novos ritos de passagem e juramentos especiais à fé como o Weshem-ib que significa "pesagem do coração", podendo então desempenhar alguma função coletiva e ou serem ordenados em sacerdócios específicos como o sacerdócio W'ab e o sacerdócio Imakhu.

• Nisut: É o líder espiritual e administrativo, função que no passado era desempenhado pelo faraó, e atualmente desempenhada pela própria fundadora da religião, Tamara Siuda, que é também egiptóloga, trazendo conhecimento científico para basear a fé, os ensinamentos, os ritos e a estrutura da Ortodoxia Kemética. Seu título simplificado como Nisut é Hekatawy I. Obs: ela não é considerada um faraó e nem infalível, tampouco uma divindade, como eram considerados os faraós do antigo Egito.

sábado, 16 de junho de 2012

ZOROASTRO


Zaratrusta jovem
Seu verdadeiro nome era Zaratustra, mas nos dias de hoje é mais conhecido pela versão grega de seu nome, Zωροάστρης (Zoroastres, Zoroastro).Ele foi uma espécie de profeta nascido na Pérsia (atual Irã), provavelmente em meados do século VII a.C., fundador do Masdeísmo ou Zoroastrismo, religião adotada oficialmente pelos Aquemênidas (558 – 330 a.C.). A denominação grega Ζωροάστρης significa contemplador de astros. É uma corruptela do avéstico Zarathustra (em persa moderno: Zartosht ou زرتشت). O significado do nome é obscuro, ainda que, certamente, contenha a palavra ushtra (camelo).

Nos dias atuais, depois de estudos lingüísticos e comparações de

textos antigos, a maior parte dos pesquisadores chegou à

conclusão que Zoroastro deve ter nascido por volta do ano


630 a.C. em Báctria, região da Ásia central ao norte do atual


Afeganistão, mas não existem registros históricos da data de

Conquista do Império Persa por Alexandre, o Grande
nascimento
e dos locais em que Zoroastro viveu.

Um dos motivos foi sua seita ter sido "apagada"

pela conquista do Império Persa por Alexandre, o
 Grande,

e depois, pelos árabes.

Essa região era imensa: num mapa atual ela


incluiria, no mínimo, o Irã, o Iraque, o Afeganistão, o

Uzbequistão, o Quirguistão, o Turcomenistão,

Os magos e feiticeiros, adoradores do
fogo, que aparecem nos famos contos das
Mil e Uma Noites são personaagens
inspirados pela antiga religião de
Zoroastro, pois em seus templos estava
sempre aceso o fogo sagrado que era a
representação de Ahura Mazda,
o Deus Supremo no zoroatrismo.
parte do Paquistão e o noroeste da Índia.

Quando os árabes conquistaram a Pérsia e


difundiram o islamismo, a religião de Zoroastro, que

 ali existia desde antes dos persas formarem um

império, desapareceu.Há menções a ela nos contos

das "Mil e Uma Noites", uma coletânea de histórias

passadas de geração em geração na tradição oral e

mais tarde transformada em livro.

Ali se pode ler sobre os magos (magi), os


adoradores do fogo, que para os zoroastristas era a

representação sagrada de Ahuramazda, o Deus supremo da mitologia persa.

Esses adoradores do fogo eram considerados ilegais pelos árabes, pois estes admitiam apenas sua própria

Zaratrusta ou Zoroastro
religião, a muçulmana.

Zaratustra, ou Zoroastro, passou à história como um


profeta cuja doutrina foi superada, no entanto,

estudiosos afirmam que muitos dos princípios

teológicos das religiões modernas, como a

separação entre o bem e o mal, já haviam sido

delineadas por Zaratustra, 600 anos antes de Cristo

e 1.200 anos antes de Maomé.

Os ensinamentos de Zaratustra só foram registrados

depois de sua morte - a única exceção é o Gatha,

livro de hinos que teria sido escrito por ele. O nome

Zaratustra significa "homem dos velhos camelos".

Seu pai se chamavaPorushaspa, cuja tradução

é "aquele dos cavalos e raça com patas anteriores brancas" e deve ter sido um sacerdote, de um clã de

criadores de animais - assim está escrito no Avesta, o livro sagrado dos ensinamentos de Zaratustra.

Destinado, ainda bem jovem, a seguir as pegadas do pai e a
 se tornar também um sacerdote, o rapaz não


concordou.
 Aos 20 anos ele abandonou sua terra e partiu em peregrinações.

Há relatos também de que sua mãe o gerou quando ainda era virgem, fecundada pela luz divina de Ahuramazda. 600 anos depois, o cristianismo se apropriaria desse fenômeno e o atribuiria a concepção de Jesus, nascido também de uma virgem.

Zoroastro nasceu nas estepes a perder de vista da Ásia Central perto do Mar de Aral, havia uma pequena vila de casas, onde vivia a família Spitama. Um dia, no sexto dia da primavera, um menino nasceu naquela família. A sua mãe e seu pai decidiram dar-lhe o nome de Zaratustra. Ao nascer, Zaratustra não chorou, pelo contrário, riu sonoramente. As parteiras, vendo aquilo, admiraram-se, pois nunca tinham visto um bebê rir ao nascer.

Na vila havia um sacerdote que percebeu que aquele menino viria a ser um revolucionário do pensamento humano e o que enfraqueceria o poder dos "donos" das religiões. Ele então decidiu tomar providências e procurou Pourushaspa, o pai de Zaratustra, com a seguinte conversa: "Pourushaspa Spitama, vim avisar-lhe. Seu filho é um mau sinal para a nossa vila porque riu ao nascer, ele tem um demônio. Mate-o ou os deuses destruirão seus cavalos e plantações. Onde já se viu rir ao nascer nesse mundo triste e escuro! Os deuses estão furiosos!".







Pourushaspa não queria ferir seu filho, mas o sacerdote insistiu e impôs uma prova.

Na manhã seguinte Pourushaspa fez uma grande fogueira, e à frente de todos colocou Zaratustra no meio do fogo, mas ele não sofreu dano algum. O sacerdote ficou confuso.

Zaratustra foi levado então para um vale estreito e colocado no caminho de uma boiada de mil cabeças de gado, para ser pisoteado. O primeiro boi da boiada percebeu o menino e ficou parado sobre ele, protegendo-o, enquanto o resto passava ao lado e o bebê não sofreu um só arranhão. O sacerdote logo arquitetou outro plano. O menino Zaratustra foi colocado na toca de uma loba que, ao invés de devorá-lo, cuidou dele até que Dugdav, sua mãe, viesse buscá-lo. Diante de tantos prodígios o sacerdote ficou envergonhado e mudou-se da vila.



Ao crescer, Zaratustra peramburalava pelas estepes indagando-se: "Quem fez o sol e as estrelas do céu? Quem criou as águas e as plantas? E quem faz a lua crescer e minguar? Quem implantou nas pessoas a sua natural bondade e justiça?".

Um dia Zaratustra estava meditando às margens de um rio quando um ser estranho lhe apareceu. Ele era indescritível, tal a sua beleza e brilho. Zaratustra perguntou-lhe quem era ele, ao que teve como resposta: "Sou Vohu Manah, a Boa Mente. Vim lhe buscar". E tomou-lhe a mão, e o levou para um lugar muito bonito, onde sete outros seres os esperavam.

A Boa Mente disse-lhe então: "Zaratustra, se você quiser pode encontrar em você mesmo todas as respostas que tanto busca, e também questões mais interessantes ainda. Ahura Mazda, que tudo cria e sustenta, assim escolheu partilhar a sua divindade com os seres que cria. Agora, sabendo disso, você pode anunciar essa mensagem libertadora a todas as pessoas.”

Zaratustra contestou: "Por que eu? Não sou poderoso e nem tenho recursos!". Os outros seres responderam em coro: "Você tem tudo o que precisa, o que todos igualmente têm: Bons pensamentos, boas palavras e boas ações".

Zaratustra voltou para casa e contou a todos o que lhe acontecera. A sua família aceitou o que ele havia descoberto, mas os sacerdotes o rejeitaram. Eles argumentaram: "Se é assim nada há de especial em nosso serviço, nada valem nossos sacrifícios e perderemos o poder que nos dão os deuses ciumentos e caprichosos que servimos. Ficaremos sem trabalho e passaremos fome!". Decidiram, então, dar cabo da vida de Zaratustra.

Com sua boa mente ele entendeu que tinha que sair dali por uns tempos. Chamou seus vinte e dois companheiros e companheiras de primeira hora e fugiram com tudo o que tinham. Eles viajaram durante várias semanas até chegarem a um lugar cujo governante chamava-se Vishtaspa.
Zaratustra na corte do Rei Vishtaspa
Zaratustra procurou Vishtaspa e partilhou com ele a sua descoberta.

Vishtaspa respondeu ao seu apelo com uma recusa: "Por que haveria de crer nesse estranho? Meus deuses são, com certeza, mais poderosos que esse Ahura Mazda!".

Após dois anos tentando convencer Vistaspa, e enfrentando a mais cruel oposição, passando, inclusive, um tempo preso, um acidente com o cavalo de Vishtaspa ajudou a resolver a favor de Zaratustra esse impasse. À beira de morte, o cavalo tornou-se o pivot de todas as atenções. Vistaspa chamou sacerdotes, feiticeiros, médicos e sábios para salvar o seu cavalo. Juntos eles tentaram de tudo, inclusive oferecendo aos deuses dezenas de sacrifícios de outros cavalos. Além disso, brigaram entre si, fizeram intrigas, mas nada aconteceu, o cavalo de Vishtaspa só piorava. Zaratustra, que fora criado num ambiente rural, logo percebeu que ele fora envenenado. Procurando Vishtaspa ele sugeriu um remédio muito usado nesses casos em sua terra. Sem alternativas, embora descrente, Vishtaspa aceitou a idéia de Zaratustra e em dois dias seu cavalo estava de pé, sem sinal do doença.

Templo religioso masdeísta, religião
fundada por Zoroastro [ou Zaratustra],
mais comumente conhecida como
zoroatrismo. A figura entalhada é a de
Ahura Mazda, seu deus supremo.
Todos ficaram pasmos e acharam que Zaratustra tinha operado um milagre. Ele respondeu que havia apenas usado a sua boa mente e os conhecimentos que tinha adquirido em casa. Vishtaspa e sua família ficaram encantados com a honestidade e simplicidade de Zaratustra, e dispuseram-se a ouvi-lo de novo, dessa vez com coração e mentes desarmados. Em pouco tempo não só Vishtaspa e sua família haviam sido iniciados, como também grande parte de seu povo.

Embora Zaratustra pudesse ter usado a ocasião da cura do cavalo de Vishtaspa para arrogar-se poderes sobrenaturais ele preferiu ser sincero, e foi isso o que de fato mostrou a Vishtaspa a sublime beleza e profundidade da mensagem.

Dos 20 aos 30 anos, segundo narrativas que chegaram a nós, Zaratustra viveu quase sempre isolado, habitando no alto de uma montanha, em cavernas sagradas. Não ingeria nenhum alimento de origem animal. Em outros relatos, teria ido ao deserto, onde fora tentado por uma entidade maligna. Após sete anos de solidão completa, regressou ao seu povo, e com a idade de trinta anos recebeu a revelação divina por meio de sete visões ou idéias.

Assim começou Zaratustra a sua missão aos trinta. Segundo os Masdeístas ele encontrou muita dificuldade para converter as pessoas à sua nova religião. Em dez anos de pregação teve somente um crente: o seu primo. Durante este período, o chamado de Zaratustra foi como uma voz no deserto. Ninguém o escutava. Ninguém o entendia.

Foi perseguido e hostilizado pelos sacerdotes e por toda a sorte de inimigos ao longo de dez anos. Os príncipes recusaram dar-lhe apoio e proteção e encarceraram-no porque a sua nova mensagem ameaçava a tradição e causava confusão nas mentes de seus súbditos. Com 40 anos, realizou milagres e preocupava-se com a instrução do povo. 


Somente depois da conversão do rei Vishtaspa, que se tornou um fervoroso seguidor da religião por ele pregada, é que iniciou-se a verdadeira difusão dos ensinamentos de Zaratustra e uma grande reforma religiosa.

Templo do Fogo, no Irã [antiga Pérsia]

Logo em seguida, a corte real seguiu os passos do rei.
O profeta pôde finalmente começar sua obra e fez construir, diante das portas da capital, o Templo do Fogo. No altar ao ar livre, os sacerdotes cantavam hinos e doutrinavam as pessoas. Não era mais necessário sacrificar animais para conseguir a graça divina. Bastava ser honesto e trabalhador.

Mas logo os sacerdotes começaram a se rebelar: queriam voltar à antiga religião. Começou uma grande guerra em que Vistapa foi morto e Zaratustra perdeu seu protetor. No combate final, o profeta foi surrado com bastões enquanto rezava no templo, diante do fogo sagrado, e não resistiu aos ferimentos: já tinha, então, mais de 77 anos. Segundo alguns relatos, o seu túmulo estaria em Persépolis.


O Fogo Sagrado que se ascendia no altar
do Templo era a representação do
próprio Ahura Mazda
O Masdeísmo chegou a ser a religião oficial da Pérsia. No império dos reis Sassânidas, principalmente no de Ardashir (227 a.C.), o chefe religioso era a segunda pessoa no Estado depois do imperador soberano, e este, inteiramente de acordo com o antigo costume, era admitido como divino ou semidivino, vivendo em particular intimidade com Ormuzd.

De acordo com a lenda, a doutrina de Zaratustra havia sido escrita com tinta de ouro em 12 mil couros de boi e estava guardada na biblioteca real de Persépolis, que foi totalmente queimada pelos soldados de Alexandre, o Grande, 200 anos depois.

Zaratustra propõe que o homem encontre o seu lugar no planeta de forma harmoniosa, buscando o equilíbrio com o meio (natural e social), respeitando e protegendo terra, água, ar, fogo e a comunidade.

Zoroastro velho
O cultivo da mente, palavras e ações boas é de livre escolha: o indivíduo deve decidir perante as circunstâncias que se apresentam, os seres humanos, portanto, possuem livre-arbítrio e são livres para pecar ou para praticar boas ações. Mas serão recompensados ou punidos na vida futura conforme a sua conduta.

Os principais mandamentos são: falar a verdade, cumprir com o prometido e não contrair dívidas. O homem deve tratar o outro da mesma forma que deseja ser tratado. Por isso, a regra de ouro do Masdeísmo é: "Age como gostarias que agissem contigo".

Entre as condutas proibidas destacavam-se a gula, o orgulho, a indolência, a cobiça, a ira, a luxúria, o adultério, o aborto, a calúnia e a dissipação. Cobrar juros a um integrante da religião era considerado o pior dos pecados. Reprovava-se duramente o acúmulo de riquezas.

As virtudes como justiça, retidão, cooperação, verdade e bondade, surgem com o princípio organizador de Deus Ascha, os homens devem ser fiéis, amar e auxiliar uns aos outros, amparar o pobre e ser hospitaleiros.

Ahura Mazda
 Essas prescrições fomentavam a temperança e não a abstinência, pois a doutrina original de Zaratustra opunha-se ao ascetismo. Era proibido infligir sofrimento a si, jejuar e mesmo suportar dores excessivas, visto o fato de essas práticas prejudicarem a alma e o corpo, e impedirem os seres humanos de exercerem os deveres de cultivar a terra e de procriar.