
Mais tarde, com o advento do cristianismo, mais ainda se acenturam esses aspectos obscuros, e ela passou a ser vista principalmente como uma deusa "infernal".
![]() |
LILITH |
De acordo com a tradição cristã popular [não bíblica], Hécate já foi associada a Lilith, uma espécie de mulher demônio, segundo alguns, a primeira mulher a ser criada, antes mesmo de Eva, mas tão cruel que foi banida para o inferno, onde se tornou a esposa de um demônio [um dos anjos decaídos] e amante e preferida do próprio Lucifer, ou, mais simplesmente, o demônio em forma de mulher.

Resultado das revoluções sócio-religiosas ao longo dos anos e de uma visão tendenciosa, fruto e vários séculos de perseguição e opressão religiosa, essa assossiação na verdade pouco tem haver com as verdadeiras origens e o culto original da deusa.

Para seus seguidores modernos Hécate é a deusa que transmite o poder de olhar para três direções ao mesmo tempo. Esta deusa sugere que algo no passado está amarrando o presente e prejudicando planos futuros.
É conhecida como uma Deusa "escura" por seu poder de afastar os espíritos maléficos, encaminhar as almas e usar sua magia para a regeneração.
Invocava-se a sua ajuda em seu dia (13 de Agosto) para afastar as tempestades que poderiam prejudicar as colheitas, segundo a visão dos antigos.
Já na aniga Grécia Hécate era considerada a patrona das sacerdotisas, Deusa das feiticeiras, sendo esta a principal característica que mantém nos tempos modernos, sendo portanto, a patrona das bruxas.
Mas é importante lembrar, naturalmente, que o conceito de bruxa para os neo-paganistas da era moderna difere muito da visão propagada desde os primeiros anos do cristianismo como sendo servas do demônio, criaturas maléficas cujo único objetivo é espalhar o mal e destruir o trono de Deus.
A bruxa moderna é aquela que vive em sintonia com as forças da natureza e de acordo com suas leis, está em contato com forças divinizadas e os elementais da água, do ar, da terra e do fogo, possui conhecimentos de magia e os aplica no dia a dia para estar em maior harmonia com as forças da criação. A idéia de que esses conhecimentos possam ser usados para o mal e para prejudicar outras pessoas, é abominada por aquelas que realmente compreendem a grandeza desses poderes e sabe fazer uso deles com sabedoria.

É também a deusa dos caminhos, dando à humanidade novos caminhos a serem seguidos. Deusa forte e poderosa por excelência. Era a padroeira das Bruxas e em alguns lugares da Tessália, cultuada por grupos exclusivos de mulheres sob a luz da Lua.

É representada no plano humano pela xamã que se movimenta entre os mundos, pela vidente que olha para passado, presente e futuro e pela curadora que transpõe as pontes entre os reinos visíveis e invisíveis, em busca de segredos, soluções, visões e comunicações espirituais para a cura e regeneração dos seus semelhantes.

“Senhora da magia” confere o conhecimento dos encantamentos, palavras de poder, poções, rituais e adivinhações àqueles que A cultuam, enquanto como “Guardiã dos sonhos e das visões”, tanto pode enviar visões proféticas, quanto alucinações e pesadelos se as brechas individuais permitirem.

Possuidora de uma aura fosforescente que brilha na escuridão do mundo subterrâneo, Hécate é a guardiã do inconsciente e guia das almas na transição, enquanto as duas tochas apontadas para o céu e a terra, iluminam a busca da transformação espiritual e o renascimento.

No ciclo das estações e das fases da vida feminina Hécate forma uma tríade divina que representa a donzela, a mãe a a anciã, detentora de sabedoria, padroeira do inverno, da velhice e das profundezas da terra.
Hécate é protetora dos viajantes e guardiã das encruzilhadas de três caminhos.
Suas insígnias são a tocha que ilumina o caminho; a chave, que abre os mistérios; a corda, que tanto conduz as almas como também representa o cordão umbilical do nascimento; a foice, que corta as ilusões e os medos.

No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres.

A conexão com Hécate representa um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, como também ajuda a compreender e aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte.
Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas quanto os terrores do inconsciente que precisam ser reconhecidos e transmutados, trazendo a luz para a escuridão e revelando o caminho da renovação.

Historicamente, Hécate é uma Deusa que se originou nos mitos dos antigos karianos, no sudoeste da Asia menor, e foi assimilada na religião grega a partir do seculo 6 a.C.
Hécate foi adotada pela mitologia Olimpica após os Titãs serem derrotados, e seu culto perdurou entre os gregos até tempos tardios. Era considerada tão importante que os gregos acreditavam que o proprio Zeus lhe rendia culto e oferendas.

Existem estátuas que a representam, mas são quase todas copias romanas e é difícil saber o quão fiéis elas sejam das originais.

Outras formas particularmente modernas de venerar esta Deusa incluem o estudo da magia e a apreciação de coisas estranhas e assustadoras, tais como passeios noturnos em locais sombrios, como cemitérios, por exemplo, já que é uma deusa ligada à morte e ao renascimento.